
O setor portuário brasileiro alcançou uma marca histórica. O Desempenho Aquaviário 2025, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), mostrou que os portos nacionais movimentaram 1,4 bilhão de toneladas ao longo do ano passado. O volume representa um crescimento de 6,1% em relação a 2024 e reflete o aquecimento do comércio exterior e a capacidade de resposta da infraestrutura logística do país.
O ano passado se encerrou com um desempenho elevado em dezembro. A movimentação de cargas saltou 14,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 119 milhões de toneladas em trinta dias, o que sinaliza uma tendência de alta para 2026. Os números representam um cenário de crescimento consistente ao longo dos anos. Nos últimos 15 anos, a movimentação de cargas no Brasil cresceu 67% , saindo de 840 milhões para o atual patamar de 1,4 bilhão de toneladas.
Os dados do Anuário 2025 mostram um crescimento equilibrado. A movimentação nos Terminais de Uso Privado (TUPs) cresceu 7% (906,1 milhões de toneladas), enquanto nos portos públicos registrou alta de 4,5% (497 milhões de toneladas), com destaque para o Porto de Santarém (PA), que cresceu 13,2%. Um indicador importante do aquecimento da atividade industrial e do consumo foi o desempenho das cargas conteinerizadas. Esse segmento, que transporta produtos de maior valor agregado, movimentou 164,6 milhões de toneladas (+7,2%).
Entre as mercadorias, o agronegócio segue como protagonista absoluto. A soja registrou um crescimento expressivo, de 14%, totalizando 139,7 milhões de toneladas escoadas. Na outra ponta da cadeia, a importação de adubos e fertilizantes cresceu 10% (49,3 milhões de toneladas), sinalizando que os produtores estão aumentando os investimentos na preparação das próximas safras. Outro destaque foi a movimentação de gás de petróleo, que avançou 10,4%, somando 5,8 milhões de toneladas.
Além do recorde na movimentação, 2025 foi um ano decisivo para a infraestrutura. O MPor realizou oito leilões portuários que somam R$ 10,3 bilhões em investimentos nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Os projetos contemplam a ampliação de capacidade e modernização de terminais, incluindo obras estruturantes como o Túnel Santos-Guarujá e melhorias no Canal de Acesso de Paranaguá.
O ano também foi marcado pela forte expansão do capital privado. Foram assinados 39 atos (entre novas autorizações para TUPs e alterações contratuais) que totalizam R$ 5,81 bilhões em investimentos. Somam-se a isso outros R$ 2,07 bilhões viabilizados via gestão contratual, com aportes de operadores para modernização e ganhos de eficiência.
(*) com Agência Gov.Br