
Em pouco mais de uma década, entre os anos de 2010 e 2022, a população de Porto Alegre caiu 5,47%, passando de cerca de 1,41 milhão de habitantes para 1,33 milhão, de acordo com as edições do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2025, o instituto projetou um aumento de nível para 1,388 milhão de moradores na Capital. No dia em que a cidade do Porto dos Casais completa 254 anos de fundação , o Correio do Povo chamou acadêmicos e agentes públicos para discutir como as políticas públicas estão impactando na atração, retenção ou migração de moradores.
A professora e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS, Maria Alice Medeiros Dias, destaca que a pirâmide etária do Censo de 2022 em Porto Alegre indica ainda um envelhecimento da população. Para ela, os dados da pesquisa sugerem que as ações promovidas não estão sendo eficazes na retenção e captação de moradores. Entre os fatores que implicam nesse resultado, ela cita a especulação imobiliária e o alto custo de moradia em Porto Alegre, levando famílias a procurarem um lar em outras cidades da Região Metropolitana.
“A cidade parece não ter atratividade suficiente para evitar a redução do número de habitantes. Para evitar a migração da população é preciso viabilizar moradia adequada para as populações de menor faixa de renda. As iniciativas para a reocupação residencial do Centro Histórico são positivas, mas lentas, exigindo a persistência dos programas de incentivo ao longo do tempo, sendo importante evitar as características da gentrificação”, disse a professora da PUCRS.
Maria Alice também mencionou os principais desafios para tornar Porto Alegre novamente atrativa para os moradores. “A solução dos problemas de mudança urbana é outro desafio fundamental. Nesse sentido, políticas para a implantação de infraestruturas verdes devem ser adotadas. A preservação ambiental é outro ponto importante. Acompanhamos a devastação de áreas significativas vegetadas remanescentes para a implantação de novas urbanizações, com impactos relevantes na qualidade de vida. Há também a necessidade de políticas que promovam a qualificação dos espaços públicos em bairros afastados da área central”, completou.
Já a professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Clarice Misoczky de Oliveira, integrante do laboratório de ensino, pesquisa e extensão Cidade em Projeto, entende que políticas que integram habitação, infraestrutura urbana, mobilidade e equipamentos públicos são o grande desafio para o
desenvolvimento social e urbano de Porto Alegre. Sobre o declínio habitacional da Capital, ela também aponta o alto custo de moradia como um dos principais fatores.
Fonte: Correio do Povo