
A partir desta quinta-feira, o transporte público e o táxi de Porto Alegre passa a vigorar com uma nova tarifa: o valor sobe de R$5 para R$5,30 na passagem de ônibus, e a bandeirada passa de R$ 6,95 para R$ 7,24. Ainda que o anúncio tenha sido feito no dia 13 de fevereiro, muitos usuários do transporte, e até mesmo taxistas, não sabiam que o valor tinha aumentado, e foram pegos de surpresa.
O taxista Liseandro da Rosa Maier soube na noite desta quarta-feira. “Fiquei sabendo que iria aumentar a tarifa do transporte coletivo que seria o ônibus, e agora de manhã fiquei sabendo que ia tinha aumentado o ônibus e o táxi”, relata. O motorista defende que o valor da bandeira não deveria ter subido. “A população está voltando e meio que se assusta com o aumento, né? Como motorista, fui pego de surpresa. Tenho que pegar a nova tabela ainda, não peguei a nova”, disse.
Por enquanto, ele irá continuar trabalhando com o taxímetro antigo, antes de fazer a aferição, que também terá custo. “Estava vendo aqui o valor para uma aferição de taxímetro, e vai sair R$ 315. A gente já vai ter um custo agora e, com o aumento, vai demorar para se ter o ressarcimento”.
Paulo Adair da Silva Santos, taxista há 37 anos, antes de entrar na fila para começar as corridas pela manhã, foi em busca da nova tabela de preços, com os valores reajustados. Até o momento de aferição do taxímetro com a nova tarifa, que pode levar cerca de 20 dias, os motoristas utilizam a tabela manual, que deve ser colada no vidro do carro. Além dessa, Paulo também carrega uma para entregar aos passageiros.
Nova tabela de preços para os táxis
“Acho que tem que dar aumento, porque não vai se acumulando e depois quando eles forem aumentar, aí aumenta muito, né?”, defende. Para o motorista, o reajuste da tarifa precisa acompanhar a inflação. Porém, reconhece que a pouca demanda ainda é um problema. “Não adianta vir um aumento grande para nós ganharmos mais dinheiro, nós não vamos ganhar, porque não tem serviço para táxi. Olha quantos táxis têm parados aqui”, diz, apontando para a fila de veículos parados. Segundo o motorista, o maior público é o acima de 60 anos.
Passageiros de ônibus relatam insatisfação com reajuste
Além de alguns desavisados, passageiros que sabiam do aumento do valor da passagem relatam insatisfação com as condições atuais de estrutura das conduções. A aposentada Maria Helena da Silva sabia que o valor iria subir, mas não quanto. “Achei que subiu bastante. Não deveria ter subido tanto”, disse a moradora do bairro Jardim do Salso. Ela também reclama do tempo de espera para a sua linha. “A gente fica aqui tipo muito tempo na parada. Tá demorando muito os ônibus. Com esse aumento aí, era para ter com mais frequência”, argumenta.
“Acho um absurdo”, disse Maira Luiza Delgado, de 53 anos. “Muitas vezes as pessoas não têm para botar toda a passagem, e o jeito que está o salário e eles aumentando toda hora a passagem, é brabo”, lamenta. A moradora do bairro Partenon reconhece que começou a pegar mais ônibus com ar-condicionado. No entanto, ainda percebe o tempo de espera nas paradas. “Demora um bom tempo”, diz.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) estava mobilizado contra o aumento da passagem nesta manhã no terminal de ônibus Parobé. “A gente lembra das chuvas fortes, onde tinha goteira nos ônibus. A gente está vivendo um verão, em uma crise climática, paradas cheias, horário reduzido, ônibus com ar-condicionado que às vezes não dá conta”, diz Niara Dy Luz, estudante de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e coordenadora-geral do diretório. “R$5,30 é muito caro. Se for pensar em uma família de pessoas que utilizam o ônibus todos os dias, a passagem de ida e volta já é mais de R$ 200”, completa.
No final da tarde, o DCE da Ufrgs e de outras universidades de Porto Alegre promoveram um protesto em frente ao Paço Municipal pedindo que a questão fosse revista pela Prefeitura. “A tarifa zero, por exemplo, é algo que temos visto em outras cidades no RS e que tem dado certo. Os subsídios dados pela prefeitura não se refletem em qualidade. Queremos que a administração da cidade possa repensar a mobilidade urbana como um todo. O objetivo é que, a partir desse ato, façamos também um calendário de organização de lutas”, concluiu Niara.
Sobre o reajuste
Para os ônibus, o aumento é de 6% em relação ao valor atual, e decorre da reposição inflacionária e do impacto da reoneração da folha de pagamento, previsto em legislação federal. O reajuste acontece quase um ano após a última mudança. A definição da tarifa também considerou o IPCA dos últimos 12 meses, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, com inflação acumulada de 4,44%. Desse total, R$ 0,25 correspondem à reposição inflacionária e R$ 0,05 ao impacto da reoneração da folha.
Para os táxis, o aumento é de 4,26%, equivalente à inflação do período entre janeiro e dezembro do ano passado. O quilômetro rodado na bandeira 1 (das 6h01 às 19h59) será de R$ 3,62. Já na bandeira 2 (das 20h às 6h, aos sábados a partir das 15h, domingos e feriados), o valor será de R$ 4,71.
Fonte: Correio do Povo