
A Polícia Civil deflagrou na manhã de quinta-feira (8) a Operação Stagnum, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em roubos de carga que atuava de forma reiterada na Região Metropolitana ao longo de 2025. De acordo com a investigação, o grupo é responsável pela subtração de grandes volumes de tintas e cargas de laticínios, provocando prejuízos milionários ao setor logístico.
A ação é resultado de um trabalho de apuração realizado pela Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas (DRFC), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Alvorada, Canoas, Gravataí e Balneário Pinhal, com a participação de cerca de 80 policiais civis e apoio da Brigada Militar.
O nome da operação, “Stagnum”, que em latim significa açude ou poço de águas paradas, faz referência ao principal ponto de organização da quadrilha, localizado na região do Açude, em Alvorada, identificada pelos investigadores como o “quartel-general” do grupo criminoso.
O principal roubo atribuído à organização ocorreu em 7 de novembro de 2025, quando quatro caminhões carregados com latas de tinta foram subtraídos em Canoas. O crime chamou a atenção da polícia pelo alto nível de planejamento, sofisticação e possível auxílio interno.
Imagens analisadas pela investigação revelaram uma ação coordenada, com o uso de veículos clonados, entre eles um Volkswagen Polo e um Chevrolet Onix, além de um Renault Sandero, que fazia a função de batedor e segurança perimetral do comboio criminoso. Parte da carga roubada foi posteriormente localizada em um galpão abandonado em Canoas.
No decorrer da apuração, os policiais identificaram ainda dois suspeitos comercializando tintas da mesma marca e lote das cargas roubadas em plataformas online, com preços muito abaixo do valor de mercado.
As investigações apontam que a organização criminosa era estruturada em um núcleo familiar, comandado por uma matriarca com extensa ficha criminal. O complexo de residências interligadas, em Alvorada, era utilizado para o transbordo e armazenamento de cargas roubadas, além de servir como ponto para tráfico de drogas e outros crimes. Um dos veículos usados na logística dos roubos pertence à genitora de um dos integrantes, que também possui histórico policial.
Durante a Operação Stagnum teve entre seus principais objetivos, apreender bens e produtos oriundos do crime, recolher instrumentos utilizados nas ações criminosas, reunir novas provas que reforcem o envolvimento dos investigados e, sobretudo, desarticular a organização criminosa e neutralizar suas atividades.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo