
As regras de padronização e operação do chamado Pix Parcelado devem ser publicadas ao longo do mês de setembro. Essa inovação permitirá que consumidores façam compras e definam parcelas diretamente pelo Pix, sem a necessidade de um cartão de crédito. O valor total da compra será transferido de forma imediata ao lojista, proporcionando maior liquidez para o comerciante e facilitando o acesso ao crédito para o consumidor. Trata-se de uma modalidade disponibilizada pelo Banco Central (BC) que amplia o escopo de possibilidades de pagamentos por parte de pessoas físicas e jurídicas e, por conseguinte, tende a fomentar a busca por crédito.
A ideia é permitir o fracionamento do valor das compras através do Pix, com especial utilidade para aquelas que abrangem cifras maiores. Logo, há uma evolução em relação à transação realizada somente à vista. A mudança oportuniza que as prestações sejam debitadas automaticamente na conta corrente do usuário nas datas de vencimento acordadas. Sob o prisma do destinatário, como, por exemplo, um lojista, o montante é transferido de uma única vez, com o banco assumindo os riscos.
“Espera-se que o novo modelo acirre a concorrência entre os ofertantes, trazendo vantagens para a ponta final. Além disso, o sistema manterá a facilidade, agilidade, segurança e capilaridade do Pix tradicional. Contudo, é importante notar que a alternativa é semelhante a um empréstimo, com incidência de uma série de custos. Os limites, juros e demais taxas ficarão ao encargo de cada instituição, que levará em consideração aspectos referentes ao histórico de crédito do solicitante”, comenta Oscar Frank, coordenador da área econômica da CDL Porto Alegre.
No entendimento do economista, como resultado é fundamental observar os bons preceitos da gestão financeira. A primeira etapa consiste em avaliar a real necessidade de contratar os recursos, com o intuito de evitar um cenário onde o comprometimento significativo da renda venha a gerar inadimplemento e todas as consequências derivadas do não cumprimento da obrigação. Já a segunda envolve comparar entre diferentes preços para que se escolha a opção com as melhores condições. “A terceira é sempre checar os dados para que não se caia em golpes”, diz.
Pix Parcelado
- Nova funcionalidade do Pix, que será lançada para a população e para os lojistas no fim de setembro.
- Será possível a tomada de crédito pelo usuário pagador para permitir o parcelamento de uma transação Pix. Quem estiver recebendo terá acesso a todo o valor instantaneamente, mas quem estiver pagando poderá parcelá-lo.
- O Pix Parcelado poderá ser usado para qualquer tipo de transação Pix, inclusive para transferências.
Sistema de devolução
- Autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) deve ser disponibilizado pelos bancos a partir de 1º de outubro.
- Aplicável somente para fraudes, golpes e crimes, é uma nova solução que permite a contestação de transações Pix diretamente por meio do aplicativo dos bancos.
- Essa medida não pode ser usada para desacordos comerciais, casos envolvendo terceiros de boa-fé e envio de Pix para a pessoa errada por erro do próprio usuário pagador (como erro de digitação de uma chave).
Pix em garantia
- Ainda em desenvolvimento pelo BC, é esperado que esteja disponível somente em 2026.
- Vai permitir que os recebíveis futuros de Pix sejam usados como garantia em operações de crédito.
- Medida é voltada para estabelecimentos comerciais e empresas – não trazendo nenhuma mudança na forma como as pessoas físicas utilizam o Pix.
- O objetivo é baratear o crédito ofertado para as empresas, principalmente para aquelas cujo uso do Pix é mais relevante.
As medidas que já entraram em vigor neste ano:
Boleto com QR Code
- Desde fevereiro de 2025.
- Contas e cobranças podem ser pagas por meio do Pix, com um QR Code específico, inserido no próprio boleto.
Pix por aproximação
- Desde 28 de fevereiro.
- O cliente aproxima seu celular do dispositivo do recebedor (a “maquininha”) para que a transação possa ser realizada via Pix, de forma semelhante ao que já ocorre com os cartões de pagamento, usando a tecnologia NFC (Near Field Communication).
- O Pix por aproximação pode ser feito por meio de uma carteira digital ou pelo aplicativo da instituição de relacionamento do cliente.
Pix Automático
- Começou a funcionar em 16 de junho de 2025.
- É semelhante ao débito automático.
- O Pix automático pode ser usado para fazer pagamentos, como contas de água, luz, telefone, condomínio, escola, plano de saúde etc.
- A pessoa só precisa dar autorização prévia para o início das cobranças. Depois, os débitos serão feitos automaticamente.
Agenda futura do Pix
- Ferramenta para consulta de transações liquidadas no SPI (Sistema de Pagamento Instantâneo)
- Plataforma Centralizada (Cobrança Centralizada de Pix Cobrança Contratos Inteligentes; Duplicata no Pix)
- Pix Internacional
- API de Pagamentos (sistema de comunicação entre instituições financeiras e sites de vendas)
- Novas formas de iniciação do Pix (NFC; Bluetooth; RFID; Reconhecimento facial)
- Regras para split de pagamentos (separação dos pagamentos, de forma automatizada)
Histórico
O Pix já é o meio de pagamento mais utilizado entre os brasileiros. Lançado oficialmente em novembro de 2020, o serviço de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central é usado por 76,4% da população.
Em seguida, vêm o cartão de débito (69,1%) e o dinheiro (68,9%). Os dados estão na pesquisa O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro, publicada pelo BC.
(*) com R7