
Um percentual de 86,7% das famílias estavam endividadas em abril de 2026, avançando em relação a março de 2026 (85,9%) e registrando a segunda alta consecutiva, permanecendo abaixo do observado em abr/25 (87,8%). Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, referentes a abril e divulgada pela Fecomércio-RS. A pesquisa considera apenas dívidas associadas à tomada de crédito — como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos —, não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
Quanto ao percentual de famílias com contas em atraso, a PEIC-RS identificou leve recuo, passando de 26,7% em março de 2026 para 26,6% em abril de 2026, abaixo também do observado em abril de 2025 (27,5%). O resultado foi influenciado principalmente pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, cujo indicador recuou para 7,5% em abril de 2026, ante 8,5% em março de 2026, permanecendo acima do observado em abril de 2025 (4,7%). Já entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o percentual avançou levemente, passando de 31,9% para 32,1% no mesmo período, mas ainda abaixo do registrado em abrikl de 2025 (34,0%). O percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso, apesar de seguir em patamar historicamente baixo, apresentou nova elevação, registrando 1,8% em abril de 2026, ante 1,7% em março de 2026, mantendo-se estável em relação ao observado em abril de 2025 (1,8%).
“Os resultados de abril de 2026 mostram continuidade da alta do endividamento das famílias, especialmente entre os consumidores de menor renda e com avanço da parcela que se considera muito endividada. Em um contexto de juros ainda elevados e aceleração recente da inflação, principalmente em combustíveis e alimentos, o orçamento das famílias segue pressionado, reduzindo a capacidade de pagamento e dificultando o processo de reorganização financeira das famílias”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP.