
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28), de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A expectativa predominante entre analistas financeiros indicava estabilidade no patamar atual, o maior desde 2006. Essa taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.
No comunicado, o BC destacou que o ambiente externo segue incerto, principalmente em razão da conjuntura econômica e da política adotada pelos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Segundo a autoridade monetária, esse cenário, somado às tensões geopolíticas, exige maior cautela por parte dos países emergentes. O Copom informou que, se o cenário esperado se confirmar, pode começar a reduzir os juros já na próxima reunião, em março, mas destacou que seguirá mantendo um nível de restrição suficiente para garantir a convergência da inflação à meta.
Segundo o Comitê, o compromisso com o controle dos preços exige cautela em relação ao ritmo e à intensidade dos cortes, que vão depender da evolução dos indicadores e do grau de confiança no cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante da política monetária.
No cenário doméstico, o Copom avaliou que os indicadores econômicos seguem mostrando moderação no crescimento da atividade, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. “A inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz a nota.
Os diretores ressaltaram ainda que os riscos para a inflação seguem elevados, tanto de alta quanto de baixa. Entre os riscos de alta, estão a desancoragem prolongada das expectativas, a maior resiliência da inflação de serviços e impactos inflacionários de políticas econômicas internas e externas, inclusive por meio de um câmbio mais depreciado.
(*) com R7