
O Guaíba entra em uma nova cheia, e a projeção da MetSul Meteorologia é de que ela supere a da semana passada. Segundo a agência, há alta probabilidade de o nível alcançar a cota de alerta de 2,5 metros junto ao Centro Histórico e probabilidade baixa, de acordo com os dados disponíveis nesta quarta-feira (29), de chegar à cota de inundação de 3 metros. Ainda de acordo com a MetSul, os números atuais não indicam transbordamento no Cais Mauá.
Na manhã desta quarta-feira, a régua do Cais Central da Avenida Mauá marcava 1,95 metro. A tendência apontada pela meteorologia é de elevação gradual ao longo do dia, com subida mais acentuada no fim do dia, na quinta (30) e na sexta-feira (31). Na cheia anterior, o pico ficou em 2,11 metros.
A MetSul informa que trabalha com a régua eletrônica instalada perto do pórtico do Cais Central, ponto oficial de medição há 150 anos e cuja cota de inundação é de 3 metros. A empresa registra que os valores diferem dos divulgados por páginas que usam a régua do Gasômetro.
Como estão os rios contribuintes
Cinco rios alimentam o Guaíba: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. O comportamento conjunto deles determina o tamanho da cheia, e os dois maiores contribuintes são o Taquari e o Jacuí.
Nesta quarta-feira, o Rio Taquari, em Lajeado, marcava 22,5 metros após ter superado a cota de inundação de 19 metros no começo da madrugada. A MetSul avalia que o rio segue em elevação na parte alta da bacia ao longo do dia, estabiliza e começa a baixar na quinta.
O Caí, em São Sebastião do Caí, registrava 11,2 metros e continua subindo, com estabilização gradual prevista para o fim do dia. Entre Montenegro e Nova Santa Rita, no entanto, o nível ainda avança.
O Sinos, em São Leopoldo, estava em 4,74 metros, 24 centímetros acima da cota de inundação, com forte vazão vinda das nascentes, sobretudo do Paranhana. O Gravataí marcava 4,81 metros no município homônimo, acima da cota de 4,75 metros. Nos dois casos, a MetSul projeta elevação maior nos próximos dias.
A primeira onda de vazão a chegar ao Guaíba vem do Taquari, nas próximas 48 horas, seguida pelas do Jacuí e do Caí.
Ilhas concentram o risco na Capital
A MetSul enfatiza que o risco em Porto Alegre se concentra no bairro Arquipélago. Os primeiros alagamentos nas ilhas ocorrem quando a régua do Cais Central indica entre 2 e 2,2 metros.
Com o nível caminhando para a faixa de 2,3 a 2,5 metros nas próximas 48 horas, os pontos mais baixos alagam primeiro. No pico da cheia, a projeção é de inundações em diferentes trechos e provável remoção de famílias.
Vento e vazão tornam a previsão complexa
Prever o nível do Guaíba envolve variáveis que não se resumem à hidrologia. Como cada bacia tem tempo próprio de escoamento, os picos dos cinco rios chegam em momentos distintos. No episódio atual, os vários rios contribuintes ainda estão subindo e ainda não atingiram os seus picos de cheia, assim as estimativas são preliminares e não se afasta uma piora do cenário em nova atualização.
O vento é a segunda variável. Localizado na ponta norte da Lagoa dos Patos, o Guaíba sobe mais quando o vento sopra do quadrante sul e represa o escoamento. Em cheias anteriores, esse efeito chegou a somar de 50 a 70 centímetros.
Hoje, o vento sopra do quadrante sul, mas nos próximos dias, quando chegar a onda de vazão dos rios, a previsão é de o vento soprar de direções que favorecem o escoamento das águas para a Lagoa dos Patos.
A MetSul reforça que a cheia dos próximos dias não repete os episódios de novembro de 2023 e maio de 2024. O cenário é de alerta, sem expectativa de inundação de grandes proporções.
Fonte: MetSul Meteorologia/Correio do Povo


