
Inicialmente prevista para ter 18 sessões, a Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai encerrou sua programação com 52 exibições, quase o triplo do planejado, após a alta procura do público local. Integrada ao 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF) e às comemorações do Ano Cultural Brasil-China 2026, a iniciativa selecionou nove filmes brasileiros, entre produções contemporâneas e clássicos do cinema nacional.
Entre os destaques da programação esteve “Papaya”, dirigido por Priscilla Kellen, que fez história ao ser a primeira animação brasileira selecionada para o Festival de Berlim. O filme foi escolhido para a ação na Ásia por representar a completude e diversidade do cinema feito atualmente no Brasil. A narrativa retrata a jornada de crescimento de uma pequena semente de mamão que sonha em se desprender de suas raízes para poder voar. Sem diálogos e com uma temática universal, o longa estabeleceu uma conexão imediata com o público.
“Os comentários emocionados e as observações do público chinês sobre o tema do filme e a trama da personagem me pareceram muito próximas da nossa visão. Isso me fez pensar o quanto algumas histórias são universais e como a arte tem esse poder de nos conectar para além da língua”, afirma a diretora Priscilla Kellen.
Já produções como “Coração das Trevas”, de Rogério Nunes, que venceu o prêmio de Melhor Direção no Festival do Rio, trazem contextos mais específicos da sociedade brasileira. No Rio de Janeiro de um futuro próximo, com a cidade tomada pelo caos e o agravamento das questões sociais, o filme acompanha a busca de um jovem policial por um colega desaparecido misteriosamente durante uma operação.
Outro exemplo da boa recepção chinesa, “Para Vigo Me Voy!”, de Lírio Ferreira e Karen Harley, mergulha na obra e na trajetória do cineasta Cacá Diegues, um dos fundadores do Cinema Novo e nome fundamental do cinema no país. Assim como a escolha do clássico Mesmo com distâncias geográficas e culturais, o produtor do documentário também exibido na mostra Cannes Classics, Diogo Santos, conta que durante a passagem pela China sentiu a “disponibilidade e curiosidade em tentar conhecer e entender o Brasil”. “Foi muito emocionante ver um filme sobre a nossa cultura ser exibido do outro lado do planeta e, além disso, ver o cinema cheio e o público interessado”, conclui.
O filme “A Hora da Estrela”, de Suzana Amaral (1986), que marcou a história do cinema brasileiro, integrou a programação como um aceno para a tradição do audiovisual brasileiro. Além desses títulos, participaram da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai: “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo”, de Brenda Lígia e Edu Felistoque; “Feito Pipa”, de Allan Deberton; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “O Deserto de Luiza”, de Alan Minas; e “A Herança de Narcisa”, de Clarissa Appelt e Daniel Dias.
A Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai é uma realização do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Turismo (MTur), a Funarte, a Embratur, o Sebrae, o Instituto Guimarães Rosa, o Consulado-Geral do Brasil em Xangai e a Embaixada do Brasil em Pequim.
Fonte: Correio do Povo


