
A política monetária estará novamente no centro das atenções na semana, ainda sob os efeitos das últimas reuniões dos bancos centrais. No Brasil, além da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na terça-feira, 24, dois dias depois, terá a divulgação do primeiro Relatório de Política Monetária (RPM), quando haverá entrevista coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor interino de Política Econômica, Paulo Picchetti.
A ata deve conter uma avaliação mais detalhada sobre a desaceleração da atividade, a inflação de serviços ainda elevada e a perspectiva dos efeitos da guerra na inflação brasileira. Também deve abordar os impactos fiscais de medidas do governo, como a zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel, o auxílio aos estados no corte do ICMS, os subsídios ao combustível e a criação de novos tributos para compensar essas iniciativas. Além do principal: entender o que significa o processo de “calibração” que permitiu a redução da taxa Selic de 15% para 14,75% na última quarta-feira, 18.
No exterior, a agenda é preenchida com falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE). Se no Brasil a busca dos economistas e investidores é por pistas sobre os próximos passos da queda (ou não) da taxa Selic, a busca no exterior será pelo entendimento de se haverá (e quando) alta nas taxas de juros, especialmente na Europa.
“Nos EUA, o foco será verificar se os dirigentes já vão abordar a alta das taxas de juros devido ao conflito e/ou se ainda haverá sinalização para cortes. De acordo com a ferramenta FedWatch, não há mais precificação de cortes para 2026, com a maioria das posições projetando manutenção da taxa de juros do Fed no intervalo entre 3,5% e 3,75%, com apostas minoritárias de alta já a partir da reunião de abril”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
JUROS
As curvas de juros no exterior registraram, nesta sexta-feira, o desaparecimento da possibilidade de corte de juros em 2026, em alguns casos precificando elevação de juros para combater a alta da inflação sob efeito da disparada do preço do petróleo e outras matérias-primas após a eclosão do conflito no Oriente Médio. Nos mercados de commodities metálicas, a queda não se restringe ao ouro, mas se estende a outros elementos essenciais para a indústria (como o alumínio, o cobre e a prata), o que pode ser sinal de risco de recessão econômica global nos próximos meses.
“Enquanto o conflito durar, as sextas-feiras serão de aversão a risco, com os investidores se posicionando defensivamente para não serem pegos de surpresa com outro evento inesperado do conflito. É importante ressaltar como o entendimento do mercado sobre o conflito está mudando, especialmente no mercado de petróleo: de uma guerra de baixa duração — adicionando prêmio de risco devido ao aumento da incerteza e à redução da produção — para um conflito de extensão maior, resultando em eliminação de ativos fixos da indústria global de energia, com os ataques israelenses ao maior campo de gás natural do Irã e Teerã retaliando com ataques a campos de produção de petróleo e gás natural nos vizinhos do Golfo Pérsico”, diz Manzoni.
Além da política monetária e do conflito no Oriente Médio, outros eventos devem pautar os investidores e economistas ao longo da semana. Na segunda-feira, o tradicional Boletim Focus pode trazer atualizações para as projeções da taxa Selic e do IPCA de 2026 e de 2027. No mesmo dia, é esperado — embora ainda não esteja confirmado — o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas Primárias, que deve avaliar se a política fiscal de 2026 caminha em direção à meta de superávit primário de 0,25% e as medidas, como bloqueio e cortes no Orçamento, previstas para que o objetivo seja alcançado em caso de projeção de descumprimento da meta.
No exterior, a inflação ao consumidor nacional será divulgada à noite, sob a perspectiva de menor pressão de alta após a adoção de subsídios à energia pelo governo japonês, embora o núcleo do núcleo deva continuar pressionado acima da meta de 2% ao ano. Na terça-feira, 24, à noite, o Banco do Japão divulga a ata de sua última reunião de política monetária. Na quinta-feira, 26, o IBGE apresenta a prévia da inflação ao consumidor de março no Brasil, o IPCA-15, com especial foco, como sempre, na inflação de serviços e seus núcleos. Na sexta-feira, 17, será a vez da divulgação do IGP-M de março (conhecido como a inflação do aluguel), dos dados do setor externo do Brasil em fevereiro e da expectativa de inflação do consumidor dos EUA pela Universidade de Michigan.