
A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores. O resultado foi favorecido pela agropecuária, pela indústria extrativa e por parte do impulso fiscal concentrado no início do ano. A fotografia esperada para o segundo trimestre é bastante diferente. As projeções consultadas pela InfoEconomics estão concentradas entre 0,3% e 0,5% de crescimento na margem, com ajuste sazonal. O resultado será divulgado nesta terça-feira, 1º, pelo IBGE.
Leonardo Costa, economista do ASA, projeta crescimento de 0,5% no trimestre e de 2% em 2026. Segundo ele, o resultado deve confirmar o esfriamento observado nos últimos meses, embora ainda seja compatível com expansão da atividade. O Itaú BBA também espera 0,5% na margem e 2% na comparação anual. O banco projeta desaceleração do consumo das famílias, de aproximadamente 0,9% no primeiro trimestre para 0,3% no segundo, além de estabilidade dos investimentos.
A perda de força da massa de rendimentos e do crédito deve ter limitado a demanda, enquanto as importações de bens de capital ofereceram algum suporte à formação bruta de capital fixo. Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina e Brasil, estima 0,4% no trimestre e 1,9% em 12 meses. Em relatório, a instituição reduziu sua projeção para o crescimento de 2026 de 2,2% para 2% e considera que os riscos continuam inclinados para baixo, diante do crédito mais restritivo, da desaceleração do emprego e dos salários reais e da deterioração das condições financeiras.
Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV IBRE, reduziu sua previsão de 0,36% para 0,32%, mantendo 1,8% na comparação anual e no resultado de 2026. Já o Bank of America projeta 0,3%, segundo o Broadcast. Um resultado dentro do intervalo de 0,3% a 0,5% confirmaria a moderação da atividade, mas não necessariamente alteraria de forma decisiva a política monetária – de corte em setembro e porta aberta para a decisão nas duas reuniões restantes de 2026. Um número próximo de zero ou abaixo das projeções, acompanhado por enfraquecimento do consumo e dos investimentos, aumentaria as evidências de que os efeitos defasados dos juros estão chegando com maior intensidade.
SEGUNDO CENÁRIO
Nesse segundo cenário, ganharia força a possibilidade de cortes de 0,25 ponto percentual em sequência até dezembro, levando a Selic a 13,25%. Essa trajetória ainda é mais agressiva que a mediana do Boletim Focus, que aponta taxa de 13,75% no encerramento de 2026. O PIB, porém, não dará licença automática para o Copom acelerar ou prolongar os cortes, especialmente à luz dos indicadores divulgados na última semana. O IPCA-15 de agosto foi mais benigno que o esperado, com queda de 0,40% no mês e desaceleração da inflação em 12 meses para 4,24%.
A média dos núcleos ficou em 0,23%, equivalente a aproximadamente 3,7% em termos anualizados e dessazonalizados. A inflação de serviços, excluídas as passagens aéreas, avançou 0,41%. Essa resistência mostra que a desinflação ainda não está concluída, principalmente nos preços mais relacionados ao mercado de trabalho e à demanda doméstica.
O emprego também oferece sinais mistos. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, menor nível para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua. A ocupação atingiu o recorde de 103,3 milhões de pessoas, enquanto a massa de rendimento real habitual alcançou R$ 383,5 bilhões e cresceu 4,1% em 12 meses.
Na margem, entretanto, a massa salarial avançou apenas 0,2%, enquanto o Novo Caged registrou a criação de 58.568 vagas formais em julho, praticamente metade das 112 mil esperadas pelo mercado. Nos cálculos dessazonalizados da XP, o saldo caiu de 79 mil postos em junho para 47 mil. O conjunto ainda descreve um mercado de trabalho apertado, mas com perda de impulso. Isso favorece uma flexibilização cautelosa da Selic, sem sustentar, até agora, um ritmo maior de cortes.


