
O IPCA de janeiro, que será divulgado nesta terça-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve apresentar alta de 0,31%. O destaque deve ser o grupo de serviços em patamar mais baixo diante da deflação em passagens aéreas. Por outro lado, bens industriais pressionam com alta específica em etanol. A expectativa é do grupo de economia do Banco Daycoval.
É importante que o IPCA venha em linha ou até abaixo das expectativas, mas os economistas vão avaliar o qualitativo — neste caso, o comportamento da inflação de serviços, especialmente os núcleos e os segmentos intensivos em trabalho. “A interrupção desse movimento em serviços e seus núcleos pode fortalecer as apostas em um início de corte da taxa Selic de apenas 25 pontos-base — hoje posição minoritária no mercado. O melhor cenário para sustentar a projeção de corte de meio ponto percentual é um IPCA abaixo do esperado, com a inflação de serviços e seus núcleos mantendo a desinflação em 12 meses e recuando na base mensal — movimento considerado difícil”, justifica Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
O Banco Daycoval projeta que a inflação ao final deste ano será de 3,8%, com viés de baixa. Além disso, projetam o início do ciclo de corte de juros em março. “Nossa expectativa é de que a redução seja de 0,25 ponto percentual Contudo, surpresas na inflação, sobretudo no núcleo de serviços, podem levar o BC a começar com cortes mais intensos”, estima a instituição.
O destaque baixista no grupo de serviços é a queda dos preços das passagens aéreas. Entretanto, os itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem mostrar alta relevante. Com isso, os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços) devem seguir em patamar elevado e constituem desafio para o BC.
•A alimentação no domicílio deve ter alta moderada, situando-se pelo 2° mês consecutivo no terreno positivo. Entretanto, na variação interanual deve se situar abaixo de 1%. Os preços administrados devem refletir a alta na gasolina, devido à elevação dos impostos sobre os combustíveis. Já a deflação em energia elétrica, provocada pela alteração da bandeira amarela para verde, atenua a pressão do grupo.