
A terça-feira, 3, marca a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central da reunião realizada na última semana de janeiro. Conforme o esperado, a decisão da taxa de juros veio sem surpresa em relação à taxa Selic, porém o tom do comunicado acabou surpreendendo. Havia a expectativa de um conteúdo com sinalizações sutis para o início da flexibilização monetária na próxima reunião em março, mas foi inesperada a vinda de uma orientação futura (forward guidance) praticamente sacramentando o corte da taxa Selic em 18 de março, condicionada à evolução dos indicadores econômicos, como a continuação da moderação da atividade e a desinflação.
Os dados condicionais devem se concretizar até 18 de março, apesar da inflação de serviços pressionada, especialmente dos segmentos intensivos em mão-de-obra. O mercado de trabalho, com taxa de desemprego na mínima histórica e massa salarial no pico, contribui para essa pressão na inflação de serviços, mas deve contribuir com uma leve alta na taxa de desemprego, algo sazonal para esta época do ano, além de não ter uma baixíssima margem para melhorar.
“A discussão agora é sobre a magnitude do começo da flexibilização monetária e o fim do novo ciclo de baixa. Entre os economistas, o debate está em torno entre 25 e 50 pontos-base, enquanto na curva de juros há apostas para 75 pontos-base”, comenta Leandro Manzoni, da plataforma Investing.com
Diante de projeções conservadoras do IPCA no horizonte relevante para o terceiro trimestre (de 3,2%) e a taxa de câmbio em R$ 5,35/dólar, combinadas com uma sinalização de “serenidade” na flexibilização apontada no próprio comunicado, a possibilidade atual é de um corte de 25 pontos-base em março e na reunião de abril.
“Porém, a valorização do real, que chegou a operar abaixo de R$ 5,20 por dólar na última semana, abre margem de melhora nas expectativas de inflação no Boletim Focus e nas projeções do IPCA no próprio cenário de referência do Copom, o que deixa uma probabilidade relevante de corte de meio ponto percentual”, comenta Manzoni.
Queda de 0,75 ponto percentual, segundo ele, é altamente improvável. Além do cenário descrito para um corte de 50 pontos-base, a inflação de serviços teria que ter uma melhora substancial e o mercado de trabalho mais relaxado, o que não deve acontecer. De qualquer forma, os investidores vão monitorar o conteúdo da ata da reunião da última quarta-feira, 28. A ata do Copom é uma extensão, com mais detalhes, dos argumentos apresentados pelo comunicado pós-decisão.