
A agenda econômica de 18 a 23 de janeiro está concentrada no exterior, e antecede a Super Quarta, nos dias 27 e 28 de janeiro, com reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e do Federal Reserve, o banco central norte-americano, com indicadores relevantes sendo divulgados na China, nos EUA e no Japão. No Brasil, o principal destaque será a prévia da inflação ao consumidor de janeiro.
Os dias mais relevantes para os investidores domésticos na semana são a segunda-feira, 19, e a sexta-feira, 23. O Boletim Focus, hoje, terá as atenções voltadas para a projeção do IPCA de 2027, horizonte observado pelo Banco Central para a definição da taxa de juros, além da expectativa para a Selic no fim deste ano. “Com dados da economia brasileira do quarto trimestre desafiando a tese de desaceleração gradual, cresce a probabilidade de os economistas consultados enxergarem menos espaço para cortes da Selic em 2026, especialmente em um cenário de manutenção das taxas pelo Fed até, pelo menos, a reunião de junho”, comenta Leandro Manzoni, analistas da plataforma Investing.com.
Um dos calcanhares de Aquiles para o Comitê de Política Monetária (Copom) segue sendo a inflação de serviços, que acelera desde outubro e acima da margem superior de tolerância de 1,5 ponto percentual acima do centro da meta de 3%, alimentada por um mercado de trabalho com taxa de desemprego na mínima histórica e massa salarial em patamar recorde. A prévia da inflação ao consumidor de janeiro, o IPCA-15, será divulgada ao longo da semana e trará um retrato mais atualizado do comportamento desse componente.
EUA
A segunda-feira, 19, será feriado nos EUA, mas na terça-feira, 20, está prevista a divulgação do balanço do quarto trimestre da Netflix. O principal dia da semana na maior economia do mundo será a quinta-feira. 22, com a divulgação do PIB do terceiro trimestre e do índice de inflação preferido do Federal Reserve (Fed). A leitura final do PIB dos EUA do terceiro trimestre deve confirmar a aceleração do crescimento de 3,8% para 4,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2024. No mesmo dia, serão divulgados os índices PCE de outubro e novembro, ambos atrasados em função da paralisação do governo americano, que interrompeu a coleta de dados.
Os últimos números disponíveis do PCE são de setembro, quando tanto o índice cheio quanto o núcleo — que exclui preços voláteis, como alimentos e energia — registraram alta de 2,8% em 12 meses, acima do centro da meta de 2%. Caso a leitura de novembro permaneça próxima de 3%, tende a se reforçar a avaliação de que o próximo corte da taxa de juros ocorrerá apenas na reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), a primeira sob o comando do indicado do presidente dos EUA, Donald Trump, para a presidência do Fed.
JAPÃO
A decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ) estará no centro das atenções na madrugada de sexta-feira, 23, juntamente com a divulgação das projeções trimestrais de PIB e inflação da autoridade monetária. Apesar da expectativa majoritária ser de manutenção da taxa de juros em 0,75% ao ano, os dirigentes podem sinalizar o momento do próximo movimento.
Enquanto o mercado projeta um novo aumento de 25 pontos-base apenas em julho, alguns membros do BoJ não descartam uma elevação já na reunião de abril, diante da desvalorização do iene, que segue pressionando a inflação, atualmente acima da meta de 2% ao ano. Na avaliação dos economistas do ING, o banco central japonês tende a manter as taxas inalteradas no primeiro semestre, caso a inflação apresente moderação.
Segundo o ING, essa moderação pode ocorrer com a implementação das medidas prometidas pelo governo japonês para reduzir o custo de vida. Ainda assim, a combinação de reajustes salariais e iene depreciado permanece como ponto de atenção para evitar que a inflação se afaste ainda mais do centro da meta.