
2026 mal começou e já terá uma bateria de dados relevantes em sua primeira semana cheia. No cenário local, os destaques são o IPCA de dezembro (índice oficial de inflação), o IGP-DI do mês passado e a produção industrial de novembro. Há praticamente um consenso de que o Banco Central do Brasil iniciará a flexibilização monetária no encontro de março. Hoje o Banco Central divulga o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de dezembro.
“A questão que tende a ganhar força daqui em diante é se essa aguardada redução da taxa básica de juros terá, de fato, essa magnitude. Os dados de inflação cheia vêm surpreendendo positivamente, mas a inflação de serviços — impulsionada por um mercado de trabalho ainda aquecido e sem sinais incipientes de desaceleração — pode condicionar o debate sobre um início mais cauteloso da flexibilização, com corte de apenas 25 pontos-base, para 14,75%, ou até um novo adiamento da decisão para a reunião de abril”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com
Além disso, segundo ele, a política fiscal segue pressionada, sem sinais claros de reequilíbrio das contas públicas ou de uma gestão crível capaz, ao menos, de conter a trajetória de elevação do endividamento público. Uma política fiscal com gastos sistematicamente superiores às receitas afeta as expectativas futuras de inflação, dificultando o trabalho do Copom para reancorar as projeções no centro da meta de 3% ao ano.
Hoje o Banco Central divulga o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de dezembro. Vale lembrar que o comportamento dos preços das commodities é apontado pelo Copom como um fator relevante de descompressão inflacionária, movimento corroborado pelos dados recentes — favorecido principalmente pela valorização de 11% do real frente ao dólar, além da queda dos preços das commodities agrícolas e energéticas no mercado internacional. Em novembro, o IC-Br composto registrou queda de 3,04% em relação ao mês anterior, enquanto o recuo trimestral foi de 3,32%. Na comparação com novembro de 2024, a baixa é de 13,22%, e o acumulado em 12 meses aponta retração de 7,37%.
Na quinta-feira, 8, o IBGE divulga os dados da produção industrial de novembro. A expectativa é de aceleração tanto na comparação mensal quanto na anual, com alta de 0,3% em ambos os casos. Vale lembrar, contudo, que o dado de outubro frustrou o mercado, ao apresentar crescimento abaixo do esperado na base mensal e retração frente ao mesmo mês de 2024. E, para encerrar a semana, a sexta-feira reserva o principal indicador brasileiro da semana: o IPCA de dezembro e o resultado fechado de 2025. A previsão é de aceleração da inflação mensal, de 0,18% para 0,41%, ainda assim em ritmo inferior ao de dezembro de 2024, quando houve alta de 0,52%. No acumulado em 12 meses, a expectativa é de desaceleração de 4,46% para 4,35%, mantendo o processo de desinflação, embora ainda distante do centro da meta.
Os últimos três dados do IPCA vieram abaixo do esperado. Ainda assim, o foco dos economistas deve permanecer na inflação de serviços e em seus núcleos, que mostraram aceleração na prévia de dezembro (IPCA-15). Pode parecer contraditório, mas trata-se de um quadro já explicitado pelo próprio Banco Central na última ata do Copom: moderação da demanda por itens sensíveis ao crédito, mas resiliência nos preços de bens e serviços ligados à renda, influenciados por um mercado de trabalho aquecido.