
Analistas do mercado financeiro consideraram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de redução de 0,25 ponto percentual da Taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano, só confirmaram o que há semanas os profissionais já vinham precificando, e por isso as decisões tiveram muito mais cara de confirmação do que de surpresa. Nos Estados Unidos, como também era esperado, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada.
“Essa reunião tinha um ingrediente adicional de atenção porque foi a primeira deliberação do FOMC sob a presidência de Kevin Warsh. Desde sua indicação, parte do mercado alimentou a expectativa de que sua chegada pudesse acelerar um ciclo de cortes de juros. Mas a realidade é que política monetária não funciona dessa forma”, comenta Bruno Corano, economista da Corano Capital.
Para ele, no Brasil, além da inflação, o país segue convivendo com um problema fiscal que limita significativamente a capacidade de redução sustentável dos juros. “No fim das contas, a notícia desta super quarta não foi a decisão em si. A notícia foi justamente a ausência de surpresa. Os bancos centrais fizeram exatamente aquilo que o mercado esperava. O problema é que os desafios econômicos continuam exatamente onde estavam anteriormente”, comenta.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o corte na taxa brasileira confirma a estratégia de flexibilização gradual do Copom e foi favorecido pelo alívio recente do cenário externo, especialmente com a queda do petróleo. Mas o comunicado deixa claro que o espaço para novos cortes continua limitado. “A inflação segue acima da meta e o risco fiscal ainda exige cautela. O impacto positivo sobre crédito e consumo existe, mas é modesto. O foco do mercado agora passa a ser a reunião de agosto e o nível terminal da Selic em 2026” comenta.


