
Menos de metade (44,5%) dos brasileiros têm habilidade média-alta ou alta em tarefas digitais complexas, como o uso de inteligência artificial (IA), planilhas e a configuração de computadores, aplicativos e programas. É o que mostra a 68ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: mercado de trabalho na visão da população, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“A menor maturidade digital para atividades complexas mostra que o brasileiro precisa se capacitar para continuar acompanhando o avanço das tecnologias, como a indústria 4.0, a robotização e a inteligência artificial. A habilidade de lidar com tarefas mais complexas se torna obrigatória e diferencial dentro do mercado de trabalho”, avalia Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI. De modo geral, pouco mais de 54% dos brasileiros apresentam domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais, sejam básicas ou complexas.
A maturidade digital é maior entre os mais jovens. Na faixa-etária de 16 a 24 anos, 65,7% possuem habilidade média-alta ou alta para lidar com tarefas complexas; percentual que é de 63,2% entre aqueles de 25 a 34 anos. “Além de ter mais facilidade por estar em formação e ter um contato continuado com essas tecnologias, o jovem está inserido em um mercado de trabalho mais dinâmico, no qual o domínio de tarefas digitais complexas é indispensável. Isso que faz com que eles tenham um grau de maturidade digital muito maior”, pontua a economista.
O domínio das tarefas complexas diminui entre os mais velhos. Na faixa etária de 35 a 44 anos, o percentual de participação de pessoas com média-alta ou alta habilidade em tarefas complexas cai para 53,4%. “Considerando que essas pessoas ainda têm uma vida laboral a ser percorrida, é necessário que elas se capacitem e se adaptem às novas tecnologias, para que elas possam continuar inseridas no mercado de trabalho cada vez mais tecnológico”, recomenda. Entre as pessoas de 45 a 59 anos, o número cai para 36%; no grupo de 60 anos ou mais, encolhe para 9,9%.
MERCADO REDEFINIDO
Um levantamento do Observatório Nacional da Indústria (ONI) aponta a criação de seis novas ocupações ligadas à IA, com potencial de criar no mínimo 4.950 oportunidades no mercado de trabalho. As funções emergentes refletem a incorporação crescente de tecnologias digitais em setores estratégicos da economia.
As novas ocupações identificadas são:
- Engenheiro de Sistemas Embarcados com IA;
- Cientista ou Especialista em Dados para Operação de Redes de Telecomunicações;
- Técnico em Automação Cognitiva de Infraestrutura;
- Técnico em Observabilidade de Infraestrutura Física e Digital;
- Analista de Manutenção Preditiva Autônoma e Analytics Industrial;
- Técnico em Automação de Redes e AIOps — área que utiliza análise de dados e Inteligência Artificial para otimizar e automatizar operações de tecnologia da informação.