
As obras de revitalização e recuperação do Viaduto Otávio Rocha, um dos cartões postais do Centro Histórico de Porto Alegre, aparentemente estão chegando ao seu final, após atrasos, cinco aditivos contratuais e R$ 6 milhões, ou 44,2% de custo, a mais do que o originalmente previsto, de R$ 13,7 milhões para R$ 19,7 milhões.
Iniciada em novembro de 2022 e prevista para ser finalizada em maio de 2024, justamente o mês das históricas enchentes na Capital, a obra ainda não está concluída, mais de um ano e meio depois deste prazo.
Enquanto isto não ocorre, pedestres que transitam pelo espaço, construído em 1928 e tombado pelo patrimônio histórico, precisam conviver com os trabalhos em andamento, em alguns casos arriscando a vida ao caminhar pela lateral da avenida Borges de Medeiros, já que há bloqueios nas calçadas.
Segundo o secretário Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores, a pasta não trabalhe com uma data específica para a conclusão. Apesar disto, o contrato com a empresa encerra em maio, como uma espécie de “garantia, como qualquer obra que se faça ou um produto que se compre”, disse Flores.
“Estamos fazendo os últimos ajustes e devemos ter liberações parciais de algumas escadarias, acredito que até o final da semana. À medida em que finalizamos, vamos liberando o uso para a população. A iluminação cênica e a energia elétrica já estão instaladas”, acrescentou.
Equipes de fora do Estado impactaram execução
Em ofício datado de 4 de junho de 2024 à Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), a empresa Concrejato, responsável pela revitalização, disse ter paralisado os trabalhos por 30 dias, até a referida data, atribuindo às inundações a prorrogação do prazo final. Entre as justificativas, a Concrejato disse que parte da equipe morava fora de Porto Alegre, e houve impossibilidade de trazê-los de volta à Capital diante do fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, também atingido pela água.
Apesar de a área do viaduto não ter sido alagada, houve ainda corte de água e energia elétrica no canteiro de obras e apartamentos alugados para a equipe no Centro Histórico. A icônica estrutura passa atualmente por reparos em locais onde há descolamento do cirex, revestimento que dá o aspecto esbranquiçado ao local, além de reparos pontuais em corrimões e outras estruturas. Os trabalhos em geral integram o chamado programa Centro+, da Prefeitura.
Exploração comercial deverá ter início em 60 dias
Na esteira de sua finalização, foi encerrada nesta semana a licitação para exploração comercial dos 29 espaços comerciais, sanitários, depósitos e parklets, mediante uma outorga mensal de R$ 33,9 mil. O vencedor foi o Justo, restaurante que já possui um espaço junto à escadaria do Passeio Verão.
A empresa firmou um consórcio com a livraria e cafeteria Porto Alegre Mal Assombrada, e ambos têm o prazo de 60 dias para ocupação mínima e início das atividades depois da assinatura do Termo de Permissão de Uso com o município. O consórcio, que portanto irá administrar o empreendimento, já estaria, inclusive, recebendo interessados para sublocar os espaços.
Em fevereiro, segundo a Prefeitura, após nova remoção de pichações, novamente elas foram registradas, o que fez a Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg) anunciar a instalação de seis novas câmeras de videomonitoramento, sendo que as primeiras duas devem estar no local nos próximos dias. Conforme Flores, em cerca de um ano, foram registradas 21 ocorrências relacionadas a pichações no viaduto, porém todas elas foram removidas rapidamente, o que, nas palavras dele, demonstra a eficácia do produto hidrofugante usado para facilitar a limpeza do patrimônio.
“Hoje, o viaduto somente está sendo mais frequentado pelas pessoas que estão realizando a obra. Mas, à medida em que concluirmos e passarem a circular 30 mil, 40 mil pessoas por dia, os comércios passarão a funcionar diariamente, e iremos verificar se estará tudo certo com a iluminação e as estruturas em geral. É natural dentro do processo de uma obra de 11 mil metros quadrados”, comentou o titular da Smoi.
Fonte: Felipe Faleiro / Correio do Povo