
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião na manhã desta quinta-feira (5) com uma “tropa de choque” de aliados políticos e economistas para tentar apaziguar o mal-estar com o mercado financeiro desde a reeleição dele. O time dá força a Dario Durigan na missão de dialogar entre as promessas de campanha com investimentos sociais e as reivindicações da Faria Lima.
Por enquanto, o presidente tem tentado evitar dar sinais que possam refletir negativamente e pesar ainda mais na queda da Bolsa e na alta do dólar e dos juros futuros.
Além de Durigan, entre os articuladores estão nomes como Fernando Haddad, Bruno Moretti (ministro do Planejamento) e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também devem auxiliar na missão de traçar os planos econômicos do novo mandato.
O objetivo é encontrar equilíbrio entre interesses do mercado e a manutenção das políticas sociais de Lula. A mudança da trajetória da dívida pública é ponto chave na discussão.
Por ora, a mensagem é a defesa de um ajuste fiscal gradual, na melhoria das contas públicas e no cumprimento dos compromissos de campanha, sem qualquer motivo que justifique um clima de medo ou alarme no mercado.
A expectativa é que, no próximo domingo (8), Lula faça um pronunciamento para a nação, em cadeia nacional de rádio e televisão, para acalmar os ânimos do mercado e promover uma ideia de pacificação do país.
Lula deve falar que seguirá perseguindo as metas fiscais, ao mesmo tempo em que não deixará de cumprir promessas de campanha. No pronunciamento, o presidente dirá que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o quarto mandato.
Reação pós-reeleição
No dia seguinte à reeleição de Lula, a Bolsa de Valores acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10%.
Além disso, na semana passada, o Ibovespa cravou a maior queda semanal desde 2020. Na sexta-feira (30), encerrou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12% — a maior desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid-19.
Fonte: R7

