
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia reformular toda a Esplanada dos Ministérios para o quarto mandato. A reorganização terá de conciliar aliados derrotados nas eleições, nomes que ganharam força na campanha e partidos de centro que já ocupam espaços no governo.
A ideia é reconfigurar o primeiro escalão, e os ministros que seguirem no governo poderão mudar de pasta.
A Esplanada já havia passado por uma reformulação devido às eleições. Entre março e abril, 18 cargos mudaram de comando, principalmente porque ministros deixaram o governo para disputar o pleito. Na maior parte dos casos, o presidente promoveu integrantes das próprias equipes para substituir os titulares.
Quem saiu para disputar as eleições
Entre os ex-ministros que não conseguiram se eleger estão Fernando Haddad, derrotado na disputa pelo governo de São Paulo, e Renan Filho, que concorreu ao governo de Alagoas.
Também ficaram sem mandato Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann e Carlos Fávaro, candidatos ao Senado, além de Márcio França, que disputou o cargo de vice-governador em São Paulo. Paulo Teixeira concorreu à Câmara e ficou na suplência.
Outros integrantes da antiga equipe conseguiram se eleger. Entre eles, Rui Costa e André Fufuca, que conquistaram vagas no Senado, e Jader Filho, Silvio Costa Filho, Anielle Franco e Sônia Guajajara, eleitos deputados federais.
Camilo Santana deixou o Ministério da Educação para atuar nas articulações eleitorais, mas não disputou novo mandato. Ele permanece senador e ganhou destaque na campanha que levou à reeleição de Lula.
Espaço do Centrão
A negociação com os partidos de centro será outra frente delicada da reforma ministerial.
Considerando as filiações partidárias mais recentes dos titulares que integravam a Esplanada, 7 dos 38 cargos eram ocupados por nomes do MDB, PSD, PP e Republicanos. O PT tinha 11 representantes.
O PSD contava com Carlos Fávaro, Alexandre Silveira e André de Paula. O MDB tinha Jader Filho e Renan Filho, enquanto André Fufuca representava o PP e Silvio Costa Filho, o Republicanos.
Simone Tebet, que comandou o Planejamento por indicação do MDB, deixou a legenda em março para se filiar ao PSB e disputar o Senado por São Paulo.
A questão é se o presidente preservará esses espaços ou aproveitará a reforma para exigir compromissos mais claros de apoio parlamentar.
A negociação ganha importância porque PP, União Brasil e Republicanos apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas lideranças dessas siglas já sinalizaram disposição para retomar o diálogo com o Planalto.
Camilo Santana aparece como um dos principais cotados para a Casa Civil, depois de ganhar protagonismo na reta final da campanha. Fernando Haddad é outro nome mencionado nas articulações, embora aliados avaliem que ele perdeu espaço nessa disputa. Rui Costa também deseja permanecer entre as principais figuras do governo.
Para a Fazenda, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é um dos considerados. A eventual nomeação exigiria que ele deixasse o governo estadual, abrindo caminho para o seu vice, Washington Bandeira.
Boulos ganha força
Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, passou a ser cotado para comandar o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, ocupado por Wellington Dias.
A mudança permitiria que Dias retornasse ao Senado, reforçando a presença de aliados do governo na Casa, onde o PL terá a maior bancada a partir de 2027.
Outro nome que ganhou destaque no segundo turno foi André Janones, responsável pela mobilização digital em favor do presidente, com a criação do “Exército do Lula”.
Apesar do reconhecimento pela atuação na campanha, aliados de Lula avaliam que o deputado enfrenta resistência para ocupar um ministério. A expectativa é de que o presidente faça algum gesto para reconhecer o seu trabalho, mas ainda não há definição sobre um eventual cargo.
Fonte: R7

