
Lideranças empresariais de setores econômicos e entidades representativas, além de deputados, tiveram a oportunidade de apresentar contribuições ao Governo do Estado sobre as concessões referentes aos blocos 1 e 2 das rodovias gaúchas, como forma de contribuição para o aprimoramento da modelagem das concessões rodoviárias já propostas desde a sua apresentação. O tema será debatido ao longo da tarde desta quarta-feira no 2º Encontro do Fórum de Debates do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no RS (Setcergs) e da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), na sede do Setcergs.
No encontro anterior, ocorrido em 21 de janeiro, com a presença do governador Eduardo Leite, foi apresentada a modelagem da concessão. Desta vez, o momento é de escuta para propostas. Após o final da reunião, elas serão consolidadas e o governo dará a devolutiva institucional com possibilidades de incorporações ao modelo.
Os primeiros 20 minutos do evento foram dedicados às manifestações dos presidentes da Federasul e da Setcergs, que defenderam diálogos para escolher a melhor modelagem de concessão. Em sua fala inicial, o presidente do Setcergs, Delmar Albarello, afirmou ser necessário debater a proposta para a sua melhor construção.
“Defendemos as concessões, desde que elas tenham uma análise profunda, uma nitidez da proposta e que fique viável para todos. É consenso que, sem ter concessão, não teremos estradas”, declarou. Associou que toda região com rodovias em boas condições têm desenvolvimento econômico. “Temos que pensar no resultado final. Se os governos não têm condição de bancar todas as obras, a concessão é a única saída”.
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, lembrou que a entidade estudou o modelo dos blocos e manifestou posição favorável ao bloco 2, mas foi contrária ao modelo proposto do bloco 1. “Somos favoráveis às concessões e privatizações são ferramentas importantes quando atendem ao interesse público. Queremos encontrar um consenso quanto a isso”, disse. Ao final do debate, as duas entidades deverão apresentar um documento ao governo do Estado questionando os custos estimados das obras do trecho 1.
A primeira fala do momento de sugestões foi do deputado estadual Joel Wilhelm (o Joel de Igrejinha). Ex-prefeito de Igrejinha, ele questionou principalmente as propostas no bloco 1, e do aumento de praças de pedágios. Pegando como exemplo a ERS 239, ele pontuou que uma ida e volta de Riozinho a Nova Hamburgo, que tinha oito centavos de pedágio, agora terão quarenta, com 400% de aumento em uma rodovia que apresenta características de estrada urbana. Afirmou também a ausência de viadutos no projeto, apenas passagens subterrâneas em locais alagáveis. E questionou, ainda, os valores do Funrigs destinados para as obras.
“Não posso ir para uma discussão que reduz algo tão complexo a uma redução a uma discussão mínima se tu és favorável à concessão. Não é disso que nós estamos falando. É de como é a concessão proposta, como é o custo da concessão proposta, de como é a proposta”, destacou.
Em seguida, foi a vez do secretário de Comunicação, Caio Tomazeli. O gramadense trouxe levantamentos que recebeu de entidades empresariais. Ele declarou que a região é favorável às concessões do bloco 1. “O projeto está longe de ser perfeito. A gestão já encaminhou documentos pelas entidades que questionam várias coisas do projeto, mas em nenhuma linha a gente questiona o projeto”, disse. Porém, há questionamentos sobre a viabilidade de duplicar toda a extensão da ERS 115, que apresenta gargalos, e com pontos na estrada sensíveis a chuvas intensas, resolvidas, segundo ele, parcialmente pela EGR. “Obras de resiliência que precisamos não é a EGR que vai fazer. Não é que a EGR seja cara. Ela não é eficiente”, disse. Para esse tipo de gestão, defende outro tipo de iniciativa.
O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, pontuou que, ainda que inflamado e com discordâncias, o debate deve buscar um equilíbrio necessário. Também defendeu a prioridade aos investimentos do governo Leite, e aproveitou para salientar quanto sua pasta investiu nas estradas. “Nós procuramos olhar o que é bom para o Estado. O governo passa, o Estado permanece”, destacou.
O painel de sugestões foi composto pelos moderadores Germano Rigotto, membro do conselho consultivo do Setcergs e ex-governador RS; os presidentes da Federasul e da Setcergs, e o secretário de reconstrução Pedro Capeluppi.
Capeluppi pontuou que é necessário olhar para exemplos que funcionam, e que é necessário buscar referências em outros estados, como São Paulo, e comparou que nenhum outro estado copiou o modelo da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). “Não é estranho isso. Me parece que não funciona da melhor maneira. Se funcionasse, se fosse um modelo vencedor, além de termos aqui duplicações que não vemos hoje, nós veríamos outros estados e certamente a União Federal copiando do modelo”, destacou. Ainda, no mesmo discurso de Costella, defendeu que não há como obter resultados diferentes fazendo a mesma coisa.
Rigotto destacou a iniciativa das entidades para encontrar um canal de negociação entre a sociedade e o governo do estado na busca de entendimento para as concessões. Mas também salientou que não é possível avançar em projetos que não tenham recursos. “Fora de concessões não tem solução”, pontuou.
A reunião deve seguir até o final da tarde. A próxima agenda está prevista para o dia 25 de fevereiro, na sede do Setcergs, quando o governo indicará quais contribuições poderão ser incorporadas e de que forma.
Fonte: Correio do Povo