
Leiloeiros e agropecuaristas estão confiantes de que a 48ª Expointer deverá estimular ainda mais as perspectivas de negócios na temporada de primavera. Além de prever desempenho excepcional durante o evento, a feira, com forte destaque para a pecuária gaúcha, deverá estimular também o fechamento de negócios até dezembro.
O presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais e Empresas de Leilão Rural do Rio Grande do Sul, Fábio Crespo, destaca que a temporada começa impulsionada pelos resultados no outono.
“No ano passado, no outono, estava sobrando em torno de 20% a 25%. Esse ano não sobrou, se vendeu tudo”, afirma o leiloeiro. Crespo contabiliza ainda a elevação de preços, entre 15% a 18%. “Ou seja, a perspectiva para a Expointer, que tem o melhor do Rio Grande do Sul em termos de genética, é, com certeza, de que seja excepcional”, diz.
Em 2024, a Expointer encerrou com faturamento de R$ 18,98 milhões na pecuária, considerando leilões e venda direta, de acordo com o governo do Estado. O resultado indicou um aumento de 48,6% em relação a 2023 e foi então interpretado pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, como a “antevéspera de uma retomada na pecuária de corte”. Naquele momento, Gedeão previa que se tratava de “uma retomada importante de preços”.
A projeção foi ilustrada pelo diretor administrativo da Federação, Francisco Schardong, que destacou que a alta no faturamento ocorreu em contrapartida à queda no número de animais vendidos. Em 2023, foram 651. Em 2024, cerca de 500. “Vendemos 150 animais a menos, mas com maior valorização”, afirmou Schardong.
O Cavalo Crioulo, por sua vez, em sete remates na Expointer de 2024, respondeu por R$ 16,67 milhões. “As cabanhas concentraram a venda com a grande final do Freio de Ouro, com a grande final da morfologia do Cavalo Crioulo”, avaliou Crespo. O mercado da raça de equinos deverá ter considerável movimentação com o Leilão Premium, marcado para o dia 30 de agosto. Segundo Crespo, o momento é de expansão para a raça, com aumento de vendas de equinos para outros estados e novos criatórios.
Em 2025, somente a Parceria Leilões, do próprio Crespo, realizará seis leilões entre os dias 31 de agosto e 7 de setembro. Um dos destaques da exposição é o Seleção Reconquista, liderado pelo pecuarista José Paulo Dornelles Cairoli, com oferta de animais Angus, Brangus e Ultrablack na terça-feira, 2. Além disso, a agenda contempla o Leilão Esperança & Amigos, no dia 1º, o Leilão Noite dos Campeões ABHB, no dia 3, o 2º Leilão Hereford na Essência, dia 4, e o Leilão Recuerdos e Relíquias, dia 5. “Criadores de bovinos das raças britânicas, Angus, Brahman, Hereford, Braford e Charolês, estão aproveitando o movimento. O país todo olha para a Expointer”, acrescenta o leiloeiro.
O presidente da Farsul recorda que a Expointer “nasceu com a pecuária” e que, posteriormente, abrigou os segmentos de máquinas agrícolas, bovinocultura leiteira e do Cavalo Crioulo. De acordo com Gedeão Pereira, a feira é a “grande vitrine do Estado” e favorece a realização de grandes negócios, depois, no interior.
“A expectativa de vendas de animais este ano está com um viés muito positivo. A pecuária está em alta. Está salvando o negócio do agro como um todo”, completa o dirigente, pontuando as dificuldades enfrentadas no arroz e na soja, dois carros chefes da agricultura gaúcha.
Coordenador da comissão de exposições e feiras da Farsul, Schardong comemora a alta nas inscrições de bovinos para a exposição. Nas raças Hereford e Braford, por exemplo, houve crescimento de 65%. A divulgação propiciada pela exposição, acentua o diretor, independentemente das vendas, representa um ganho notável para os produtores.
Poti Silveira Campos/Correio do Povo