
Dedicado à conscientização sobre o câncer de bexiga, o mês de julho traz um alerta para a urgência do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo da doença. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra mais de 10 mil novos casos anuais do tumor, que já figura como o quinto mais frequente entre a população masculina no País.
Além do volume de diagnósticos, a patologia chama a atenção por sua alta taxa de reaparecimento: nos casos superficiais, a recorrência chega a 70%, o que exige monitoramento médico rigoroso ao longo de toda a vida do paciente.
No Rio Grande do Sul, o cenário inspira cuidados ainda maiores devido ao perfil demográfico do Estado, que possui uma das populações mais envelhecidas do País. A incidência do câncer de bexiga aumenta progressivamente com a idade, sendo a maioria dos casos diagnosticada em pessoas acima de 65 anos.
Fatores de risco e o perigo do diagnóstico tardio
O tabagismo lidera os fatores de risco, sendo apontado como causa de até 50% dos casos. No entanto, a exposição ocupacional a corantes e substâncias químicas, infecções crônicas e o histórico familiar também aumentam significativamente as chances de desenvolvimento da doença.
O maior obstáculo para a cura, contudo, reside na demora para a identificação do tumor. O principal sinal de alerta é a presença de sangue na urina (hematúria), sintoma frequentemente negligenciado ou confundido com infecções urinárias comuns. “O problema mais grave não está apenas nos números, está no diagnóstico tardio.
O sintoma é frequentemente ignorado pelo paciente ou interpretado como infecção urinária, e o tumor avança em silêncio. Quando finalmente diagnosticado em estágio avançado, as opções terapêuticas se tornam mais agressivas, o prognóstico piora e a qualidade de vida é comprometida de forma irreversível”, alerta o Dr. Márcio Averbeck, presidente da seccional gaúcha da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-RS).
Debate científico internacional no RS
Para discutir os avanços na abordagem da doença, a SBU-RS promoverá, nos dias 16 e 17 de outubro, o 7º Encontro Gaúcho de Urologia. O evento reunirá especialistas para debater inovações no diagnóstico, estadiamento e, em especial, as novas terapias oncológicas que vêm transformando o tratamento de pacientes com câncer de bexiga. Entre os palestrantes internacionais confirmados estão:
- Dr. Levin Martínez (Uruguai): Professor titular de Urologia do Hospital de Clínicas
- Dr. Enrico Finazzi Agrò (Itália): Presidente da Seção de Urologia Funcional da Associação Europeia de Urologia (EAU)
- Dr. Immer Noyola Ávila (México): Urologista, neurourologista e urodinamista, membro da International Neurourology Society e da International Continence Society.
Mais informações completas e as inscrições para o evento estão disponíveis no site oficial da entidade: www.sburs.com.br/egu2026.
Fonte: Correio do Povo


