
As atenções desta sexta-feira se voltarão à divulgação do IPCA referente ao mês de agosto, que vai balizar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece nos dias 15 e 16 deste mês. Analistas consideram que a inflação oficial do país em agosto, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje, 11, deverá trazer uma variação mensal de -0,26%, resultado da queda dos preços de energia elétrica, devido ao bônus de Itaipu. Os núcleos devem vir estáveis na margem, em linha com a melhora observada nas últimas divulgações.
Projeções de casas privadas apontam para deflação próxima de 0,3% no mês. A Análise Econômica estima queda de 0,30%, enquanto o Goldman Sachs trabalha com recuo de 0,28%. Se o número se confirmar, a inflação acumulada em 12 meses pode cair de 4,44% para algo próximo de 4,25%. Entretanto, parte relevante desse alívio será temporária. O IPCA-15 de agosto já havia recuado 0,40%, com contribuição importante da queda de 6,25% da energia elétrica, favorecida pelo bônus de Itaipu. Alimentos, combustíveis e passagens aéreas também ajudaram. Uma parcela desse efeito pode ser devolvida em setembro, quando as tarifas voltarem a refletir condições mais normais.
“Por isso, a composição será mais importante que o índice cheio. Para o Copom, um IPCA favorável precisará vir acompanhado de inflação de serviços mais benigna, com desaceleração do acumulado em 12 meses”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
No IPCA-15, os serviços subiram apenas 0,07%, mas os serviços subjacentes avançaram 0,50% e ainda acumulavam alta de 5,03% em 12 meses. Há melhora, mas a inflação desse grupo continua acima do intervalo de tolerância em torno da meta de 3%.

