
O mercado financeiro vai acompanhar com atenção a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do resultado do IPCA-15, uma prévia da inflação do mês de junho. As projeções são de elevação próxima de 0,43% em relação ao mês anterior, puxada por alimentos e energia elétrica. Se confirmado, o acumulado em 12 meses deverá chegar a uma variação entre 4,64% para 4,82%. “Em outras palavras: embora os preços percam força na comparação mensal, o patamar permanece elevado, e a aceleração no acumulado tende a deixar o Banco Central (BC) desconfortável na condução da política monetária”, projeta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
Mais do que o índice cheio, segundo ele, é a composição que importa para a avaliação da autoridade monetária — em especial a inflação de serviços e seus núcleos. Embora a inflação de serviços deva recuar na comparação mensal, a exclusão de itens voláteis, como passagens aéreas, aponta para uma aceleração. “É esse o ponto que tende a reforçar o sinal de alerta da autoridade monetária: a força da demanda interna segue pressionando os preços”, aponta o analista.
Os cenários se desenham a partir daí. Caso o índice cheio venha acima da projeção e a inflação de serviços se deteriore mais do que o esperado, eleva a probabilidade de precificação de manutenção da Selic em agosto, hoje já majoritária. Caso venha abaixo do esperado, o alívio tende a ser momentâneo e condicionado ao comportamento dos serviços — um número mais baixo não eleva, por si só, a probabilidade de corte, mas reduz a pressão por manutenção.
O Banco Central, no entendimento de Manzoni, também trabalha com a hipótese de um choque de oferta associado à escalada do preço do petróleo durante o conflito entre Estados Unidos e Irã nos últimos meses. “Nesta leitura específica, porém, a expectativa é de deflação nos itens ligados a transporte, com a queda dos preços da gasolina e do etanol!, diz.


