
Uma semana após retomar a retórica comercial agressiva contra a China, o presidente dos EUA diminuiu o tom nos últimos dias, confirmando o encontro com o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul, durante a cúpula de líderes da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), que ocorrerá entre 27 de outubro e 1º de novembro. A expectativa é que o encontro entre Trump e Xi aconteça entre os dias 29 e 30 de outubro.
No Brasil, a semana será esvaziada de indicadores. O destaque será na sexta-feira, 24, com a prévia da inflação de outubro e os dados do setor externo de setembro. A semana, no entanto, começa com a divulgação dos resultados das expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores brasileiros.
No cenário internacional, a retórica menos agressiva não se refletiu na adoção de medidas tarifárias, e tiveram novo foco no transporte marítimo. Apesar do temor de que essa escalada transforme a guerra tarifária em um “novo normal”, economistas e analistas avaliam que esses movimentos representam apenas o posicionamento estratégico dos dois países diante da proximidade do encontro entre os líderes.
“Antes de participar de cúpulas internacionais na semana seguinte, o presidente chinês participará da Quarta Sessão Plenária do Partido Comunista da China, que discutirá o 15º Plano Quinquenal (2026-2030). Apesar das dificuldades em converter o consumo em motor da economia chinesa, é provável que o enfoque continue no desenvolvimento tecnológico de indústrias de ponta, como veículos elétricos e energia verde”, acredita Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
Segundo ele, os detalhes do novo plano quinquenal não serão revelados até março do ano que vem, mas servirão de base para as negociações entre Xi e Trump na Coreia do Sul. “De qualquer forma, o Partido Comunista da China dificilmente abrirá mão do desenvolvimento tecnológico, contrariando as críticas sobre desequilíbrios macroeconômicos globais feitas pelos próprios americanos e por instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, diz.
DESAFIO CHINÊS
O foco no desenvolvimento tecnológico não significa deixar o consumo das famílias em segundo plano. Esse será o desafio chinês nos próximos anos, especialmente diante da desaceleração econômica em curso, provocada pelo enfraquecimento do setor imobiliário — importante fonte de poupança das famílias —, o que prejudicou o consumo nos últimos anos.
Os dados de atividade econômica da China, que serão divulgados no domingo à noite (horário de Brasília), devem confirmar essa desaceleração. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre da segunda maior economia do mundo deve ter enfraquecido de 1,1% para 0,8%, segundo o consenso de mercado. Na comparação anual, a expansão deve ter recuado de 5,2% para 4,7%.
A produção industrial e as vendas no varejo de setembro devem apresentar a mesma tendência, com crescimentos menores — respectivamente, de 5,2% para 5% e de 3,4% para 2,9%. Já os investimentos em ativo fixo devem ter registrado alta mais modesta, de 0,5% para 0,2% em setembro.
“Do outro lado do Pacífico, os investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação ao consumidor de setembro, apesar da paralisação do governo dos EUA. A expectativa é de estabilidade, mas em patamares elevados, em relação ao índice de agosto”, comenta Manzoni.
No cenário corporativo, a temporada de balanços acelera nos EUA, com Netflix, Intel e Tesla como destaques. No Brasil, Weg, Romi e Usiminas iniciam a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, enquanto a AgroGalaxy, em recuperação judicial, apresentará o balanço referente ao segundo trimestre.