
A oitava edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV IBRE, aborda o tema da satisfação com o trabalho. O quesito desse tema perguntava para cada trabalhador a percepção deles sobre o grau de satisfação com base em sua experiência pessoal. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).
O resultado, com dados do trimestre findo em janeiro de 2026, mostra que a maioria dos respondentes (78,1%) afirma que se sentem satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho atual. Esse é o maior valor encontrado para essa parcela, desde o início desse quesito na pesquisa, em junho de 2025. Por outro lado, o percentual de respondentes insatisfeitos ou muito insatisfeitos se manteve em 6,1%, o menor da série.
Em seguida, os respondentes que se mostraram insatisfeitos, em qualquer grau, responderam sobre os motivos da insatisfação. O principal motivo citado pelos respondentes foi a questão de remuneração. A remuneração baixa tem sido consistentemente o motivo mais citado, representando, na média finda em janeiro, 60,5% dos insatisfeitos. Nesse quesito os respondentes poderiam citar mais de uma opção, por isso as opções somam mais de 100%. Os dois outros fatores citados com mais relevância foram: saúde mental (24,8%) e carga horária elevada (21,9%).
“A evolução favorável do mercado de trabalho nos últimos anos parece refletir nos dados sobre satisfação do trabalho, que seguem avançando. A mínima da taxa de desocupação, com melhora concentrada no trabalho formal, e a evolução da renda, são fatores que tendem a influenciar a percepção dos trabalhadores sobre sua ocupação. A parcela que ainda se mostra insatisfeita reforça a importância da remuneração para essa percepção. Os primeiros dados de 2026 devem continuar indicando um mercado de trabalho aquecido, mas a tendência para o ano é de desaceleração, acompanhado pelo ritmo mais fraco da atividade econômica. Nesse sentido, a percepção sobre satisfação tende a registrar ritmo semelhante, abaixo do observado em 2025”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.