
Dados da Equifax BoaVista, empresa global de dados, análises e tecnologia, mostram que o comprometimento médio da renda do brasileiro atingiu 83,7% em 2025. O indicador representa a relação entre os valores destinados ao pagamento de dívidas (como faturas de cartão de crédito, crédito pessoal e financiamentos) e a renda mensal familiar. O dado evidencia uma pressão relevante sobre o orçamento das famílias, refletindo o acúmulo de compromissos financeiros em um ambiente ainda marcado por juros elevados (em dezembro de 2025, a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva) e maior seletividade na concessão de crédito.
“O comprometimento de renda é um termômetro importante da saúde financeira do consumidor. Quando esse indicador se aproxima de níveis mais elevados, reduz-se a margem de manobra das famílias diante de imprevistos ou novas demandas de crédito”, afirma Bruno Gonzales, Diretor de Produtos de Crédito da Equifax BoaVista. “Em 2025 ainda foi observado aumento relativo ao número de indivíduos brasileiros negativados, mesmo com um volume menor de negativações realizadas no período.”
O levantamento aponta que o número de brasileiros negativados manteve trajetória de alta ao longo do ano. Ao final de 2025, cerca de 59 milhões de CPFs estavam negativados, representando um crescimento de 7,2% em relação aos cerca de 55 milhões registrados no encerramento de 2024.
Apesar disso, houve uma queda de 2,6% no volume de negativações realizadas ao longo do ano. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram registrados mais de 242 milhões de registros de negativação, ante cerca de 249 milhões no mesmo período de 2024. Em média, foram aproximadamente 14,5 milhões de CPFs negativados por mês.
Mesmo com a redução no fluxo anual de novas negativações, o estoque de registros ativos aumentou. O ano de 2024 foi encerrado com cerca de 169 milhões de negativações ativas, enquanto 2025 fechou com aproximadamente 172 milhões – apresentando avanço de 1,4% na comparação anual e uma média de três negativações por consumidor (CPF).
“Quando observamos queda no fluxo de novas negativações, mas aumento no estoque total, percebemos que os indivíduos não estão quitando as dívidas na mesma velocidade que elas são adquiridas. Esse movimento ajuda a explicar a elevação do comprometimento de renda e reforça a importância de renegociação e educação financeira”, acrescenta Gonzales.
Os dados indicam que, embora o ritmo de novas negativações tenha desacelerado, o volume acumulado de dívidas em aberto continua elevado, o que ajuda a explicar o aumento do comprometimento da renda observado no período. Este cenário reforça a importância de planejamento financeiro, renegociação de dívidas e uso consciente do crédito, especialmente em um contexto de juros ainda elevados, que exige maior cautela tanto de consumidores quanto de instituições concedentes.