
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) elaborou uma lista com 118 propostas do setor para os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, divididas em nível estadual e nacional. Com oito eixos estratégicos, o documento foca na melhoria do ambiente de negócios para a indústria, voltado, especialmente, à logística.
Após o evento principal, que ocorreu na sede da federação, Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), os três pré-candidatos ao Piratini melhores colocados nas pesquisas, tinham reuniões previstas com a diretoria da Fiergs. Tanto a divulgação quanto a primeira sabatina ocorreram nesta terça-feira (7).
A principal pauta defendida pela Fiergs, tanto para o governo estadual, quanto federal, é a criação do Fundo Constitucional das Regiões Sul e Sudeste, regido pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 27/2023. A PEC pede o acréscimo de 1% nos repasses para incentivo ao setor produtivo para região Sul e Sudeste, além de 0,5% em ações voltadas à segurança pública.
Para Claudio Bier, presidente da Fiergs, a aprovação da PEC é essencial para estabilidade de toda região Sul. “O fundo constitucional é a grande salvação do RS e dos outros dois Estados também. Com o advento da reforma tributária, quem tiver a melhor logística, melhor ensino e a melhor mão de obra terão o diferencial”, apontou.
Outros pontos trazidos durante a fala dos representantes apontavam que, apesar do setor agroindustrial forte, o Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento industrial do país no período acumulado entre 2002 e 2023, o que provocou a perda da quarta posição no ranking das maiores indústrias nacionais para o Estado do Paraná. Além da PEC, os tópicos levantados na coletiva acabaram separados em três eixos: irrigação, qualificação de jovens para indústria e a escala 6×1.
A Fiergs levantou a necessidade da criação de uma política de incentivo aos produtores rurais para investimento em estruturas para lidar com a estiagem, através do Plano Estadual de Irrigação, o “Fundopem da Irrigação”.
Em relação ao mercado de trabalho, a entidade vê como essencial reduzir a evasão de profissionais do Estado. Um dos meios para garantir essa permanência seria a melhoria na qualificação dos estudantes, em especial nas áreas de exatas, lidas como fundamentais para o trabalho na indústria.
Também na seara do trabalho, em relação à escala 6×1, a posição da Fiergs é mais direta. “É um tema muito importante para ser discutido em período eleitoral. Para nós, essa é uma questão que deveria ser resolvida entre sindicatos patronais e sindicatos dos trabalhadores, como nós sempre resolvemos. No fim, esse custo vai ter que ser repassado e as coisas vão ficar mais caras”, comentou Bier.
O documento entregue aos pré-candidatos traz as prioridades da entidade no âmbito estadual e federal, organizadas a partir de oito eixos: relações do trabalho e desenvolvimento do capital humano; segurança jurídica; ambiente de negócios, desburocratização e redução do Custo Brasil; promoção de negócios, atração de investimentos e internacionalização; inovação e inteligência estratégica; infraestrutura e logística multimodal; sustentabilidade e transição energética; e representatividade, articulação institucional e parcerias estratégicas.
Maranata e PSDB repudiam a ausência de convite para sabatina da Fiergs
A Federação PSDB e Cidadania do Rio Grande do Sul, representados por Marcelo Maranata (PSDB) na disputa pelo Piratini, repudiou os critérios adotados pela Fiergs na escolha dos pré-candidatos selecionados para participar da sabatina desta terça-feira (7), após a divulgação das propostas para a imprensa.
Em nota, o PSDB também reforçou que, entre as principais entidades representativas do setor produtivo gaúcho, a Fiergs foi a única a não chamar o pré-candidato tucano da agenda de pré-candidatos ao governo do Estado.
Em resposta, a Fiergs pontuou que essa foi a primeira sabatina com os pré-candidatos, nas quais os demais postulantes ao Piratini serão convidados para debater.
Fonte: João Streb / Correio do Povo


