
O prejuízo da facção Bala na Cara no bairro Rubem Berta, zona norte de Porto Alegre, é estimado em R$ 300 mil, graças à Operação Ad Extremum, deflagrada nesta quarta-feira. A ofensiva contou com os efetivos da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), prendendo oito suspeitos de agiotagem.
A ação ocorreu após análise do celular de Marcus Vinicius de Souza Fernandes, de apelido Bené, 27 anos, considerado líder do tráfico na Vila São Luiz e Vila Alexandrina. Seria mandante do ataque a tiros na Cohab Rubem Berta, em 22 de julho de 2025, quando quatro pessoas morreram, diz a Polícia Civil.
Bené chegou a ser preso preventivamente, também por agentes da 5ª DHPP, em 4 de novembro. A Justiça, entretanto, concedeu benefício de liberdade provisória ao criminoso. Em resumo, ele é procurado desde então.
A reportagem insiste em contatar os advogados de Bené, buscando sua defesa. O espaço segue aberto para manifestações.
Agiotagem de facção
Bené fugiu, mas no celular dele, apreendido, havia conversas sobre extorsão. Em suma, os faccionados concediam empréstimo aos moradores, superfaturando juros. Ademais, a cobrança incluia tortura e morte, obviamente.
“O esquema tinha bastante giro de capitais. Logo, com certeza, movimentava milhares de reais”, afirmou o delegado titular da 5ª DHPP, Daniel Queiroz,
Daniel Queiroz explica que a atuação teve como base o Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios, oriundo da teoria de Dissuasão Focada. No caso, o quinto ponto, que é a asfixia financeira de facções.
“Quisemos deixar claro aos faccionados que, se eles matarem, terão prejuízo financeiro. E isso é válido até mesmo ao assassinato de rivais. Não aceitamos nenhum tipo de homicídio”, alertou o delegado Daniel Queiroz.
Relembre o dia mais violento de 2025
Em 22 de julho de 2025, Pelas 23h10min, atiradores mataram três pessoas em frente a uma revenda de bebidas, na rua Adelino Ferreira Jardim, próximo à avenida Martim Félix Berta, na Cohab. Do mesmo modo, uma quarta vítima morreu no Hospital Cristo Redentor.
O ataque resultou nas mortes de Jonas da Silva Gonzaga, 29 anos, Cláudio Ribeiro da Silva, 53, Nicolas Fagundes, 21 anos, e a mãe dele, Deise Laura Fagundes 42. Além deles, outras três pessoas ficaram feridas, mas sobreviveram.
Horas antes, pelas 16h, na mesma data, também no bairro Rubem Berta, Yan Mazarem Teixeira, de 29 anos, já havia sido executado, no Parque dos Maias. Assim, os crimes fizeram do dia 22 de julho a data com maior registro de mortes, em Porto Alegre.
Os casos teriam ligação com a rivalidade das facções Bala na Cara e Antibala, no contexto de disputas por pontos de tráfico na Vila São Luiz e Vila Alexandrina. Afinal, ao menos dez pessoas morreram em consequência do conflito.


