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Exportações brasileiras ao Canadá batem recorde até setembro

Crédito: Agência Gov | Via Mapa

As exportações brasileiras ao Canadá bateram recorde histórico entre janeiro e setembro de 2026. As vendas somaram US$ 5,69 bilhões, alta de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025, que, até então, já detinham a maior marca da série. As importações de produtos canadenses também cresceram 14,9%, sinal de que o comércio bilateral entre os países segue aquecido. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento trimestral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

O valor das exportações supera em US$ 614 milhões o recorde anterior, de 2025, quando estas somaram US$ 5,08 bilhões, e confirma trajetória de alta. Isso significa que em dois anos, as vendas brasileiras ao mercado canadense cresceram cerca de 28%. Nas importações, o ritmo de crescimento também merece destaque. As compras mais que dobraram em relação a janeiro e setembro do ano passado, quando a alta já havia sido de 7%.

A corrente de comércio entre Brasil e Canadá movimentou US$ 8,41 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações brasileiras de produtos canadenses alcançaram US$ 2,72 bilhões. Com isso, o Brasil manteve saldo comercial positivo de US$ 2,97 bilhões no intercâmbio bilateral.

Este último estudo da CCBC aponta também que o ouro bruto continuou como principal destaque das vendas brasileiras ao mercado canadense. As exportações de bulhão dourado alcançaram US$ 3,06 bilhões no acumulado até setembro, crescimento de 47% em relação a 2025. O produto respondeu por 53,8% de toda a pauta exportadora brasileira para o Canadá, ante 41,1% um ano antes, em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas e pela procura por ativos considerados seguros.

“O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

Gráfico elaborado pela Inteligência de Mercado da CCBC que mostra a evolução da balança comercial brasileira (US$ mi FOB) entre jan–set de 2025 e 2026, com destaque para exportações, importações, saldo e corrente de comércio.

Carne bovina se destaca nas exportações brasileiras

Além do ouro, o crescimento das vendas de carne bovina, máquinas carregadoras e querosene de aviação contribuiu para o resultado das exportações brasileiras. A carne bovina desossada e congelada registrou o avanço mais expressivo entre os principais produtos da pauta, com alta de 828% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 76,5 milhões. O dado é ainda mais relevante porque as vendas brasileiras de carne bovina para a China, grande compradora do produto recuou em 2026, e o Canadá esteve entre os países que ampliaram significativamente as compras, o que ajudou a compensar parcialmente a menor demanda chinesa.

O desempenho contrasta com a retração de produtos tradicionalmente relevantes no comércio bilateral. As exportações de alumina calcinada recuaram 28%, para US$ 858,8 milhões, enquanto as vendas de açúcar de cana diminuíram 25%, para US$ 251,5 milhões. O café verde apresentou queda de 20% e somou US$ 172,8 milhões.

A expansão de outros itens ajudou a compensar parte dessas retrações. As vendas de máquinas carregadoras cresceram 80%, para US$ 55,8 milhões, e as de querosene de aviação avançaram 83% e chegaram a US$ 39,4 milhões. O resultado também foi acompanhado pelo aumento das exportações de equipamentos industriais, como partes de turborreatores e centros de usinagem.

Fertilizantes 

Nas importações brasileiras provenientes do Canadá, os fertilizantes mantiveram a posição de destaque. As compras de cloreto de potássio somaram US$ 1,41 bilhão até setembro, crescimento de 14,5% em comparação com o mesmo período de 2025. O produto respondeu por 51,9% do valor total importado pelo Brasil do mercado canadense.

Segundo a análise da CCBC, a continuidade das disrupções nas cadeias globais de fertilizantes pode favorecer fornecedores com grande capacidade produtiva e menor dependência de insumos externos, como o Canadá. Além dos fertilizantes, o Brasil ampliou as compras de turborreatores, helicópteros, medicamentos, hulha betuminosa e máquinas agrícolas, o que reflete a presença de produtos industriais, químicos e aeronáuticos na pauta importadora.

As importações de turborreatores de empuxo superior a 25 kN cresceram 61,4%, para US$ 195,4 milhões, enquanto as compras de helicópteros de até 2.000 kg avançaram 83% e alcançaram US$ 68,3 milhões. No setor farmacêutico, as importações de uma das principais categorias de medicamentos registraram alta de 35,7%, para US$ 63 milhões.

Outro fator que pode contribuir para o avanço das compras brasileiras é o comportamento cambial. A valorização do real frente ao dólar e ao dólar canadense ao longo de 2026 amplia o poder de compra brasileiro e tende a tornar os produtos importados mais competitivos no mercado nacional.

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