
O mercado de luxo no Brasil cresceu 26% entre 2022 e 2024, taxa que contrasta com a expansão de apenas 3% ao ano registrada globalmente no mesmo período. O país está na nona colocação entre os mercados de luxo que mais crescem no mundo, conforme o levantamento Luxury Lab Global. A taxa média anual de expansão do setor brasileiro atingiu 12%, e o faturamento total chegou a R$ 98 bilhões no ano passado, segundo dados da Bain & Company. No mesmo período, o mercado de luxo global movimentou 1,48 trilhão de euros, uma retração entre 1% e 3% frente ao ano anterior. A queda reflete, sobretudo, a desaceleração no mercado asiático, com destaque para a China.
As projeções mantêm uma expectativa favorável para os próximos anos. A Bain & Company estima que o mercado brasileiro alcance R$ 150 bilhões até 2030, com crescimento anual entre 6% e 8%. A Euromonitor projeta expansão de 7% para 2025 e alta acumulada de 22% nos próximos cinco anos. Os dados do levantamento mostram o recorte do desempenho do mercado de luxo nacional. O setor automotivo avançou 18% no ano passado. Em seguida, a hotelaria cresceu 16%, trazendo na esteira experiências personalizadas dos viajantes.
Entre essas experiências estão o consumo em restaurantes de alta gastronomia, viagens aéreas na primeira classe e uso de benefícios do cartão black oferecidos por instituições financeiras aos clientes de alta renda. Saúde e bem-estar subiram 15%, impulsionados por procedimentos estéticos e tratamentos de maior valor. O mercado imobiliário de luxo expandiu 13%. O estudo revela que uma das marcas da expansão do luxo no país é a descentralização geográfica. As vendas de automóveis fora do Sudeste atingiram 45% do total, e o Nordeste concentra 30% do mercado de hospitais premium.
BENEFÍCIOS
O setor de programas de fidelidade faturou R$ 21,9 bilhões no ano passado, crescimento de 17% ante 2023, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf). Entre abril e junho deste ano, o faturamento chegou a R$ 5,8 bilhões, 13,3% a mais que no mesmo período do ano anterior. A expansão também reflete a valorização dos benefícios do programa de pontos no mercado brasileiro.
Para os clientes de alta renda no país, os cartões black são a forma mais indicada de participar de programas de fidelidade. Eles costumam exigir renda mínima a partir de R$ 5 mil, com limites variados que podem chegar até R$ 60 mil, a depender da comprovação de renda e da instituição financeira. Um atrativo é o programa de pontos: a cada dólar gasto nas compras, o cliente acumula de 1,5 a 4 pontos, que podem ser trocados por passagens aéreas, produtos ou outros benefícios. Outra vantagem é o acesso a salas VIP em aeroportos. Dados da Panrotas em parceria com a Abemf mostram que 74,8% dos pontos resgatados no segundo trimestre de 2025 foram destinados a passagens aéreas. Anualmente, os brasileiros emitiram 15 milhões de passagens via programas de fidelidade.
A taxa de breakage, que indica pontos expirados sem uso, caiu para 12%, menor patamar em cinco anos. O número sinaliza um aproveitamento mais consciente dos benefícios. O mercado de cartões de crédito no Brasil registrou 235 milhões de cartões ativos em 2024, crescimento de 13,7% ante 2023, conforme dados do Banco Central.
No caso do cartão black, a anuidade pode sair entre R$ 750 e R$ 18 mil por ano, dependendo do banco e do nível do cartão. Existe, porém, uma forma de evitar essa taxa: os bancos costumam isentar a anuidade para quem gasta entre R$ 8 mil e R$ 60 mil por mês no cartão, ou para quem mantém investimentos robustos na instituição (de 3 a 5 milhões de reais).
PODER AQUISITIVO
A Bain & Company identificou 1,3 milhão de brasileiros com alto poder aquisitivo, número que pode chegar a 1,5 milhão até 2030. Entre eles, foram mapeados cinco motivações principais para consumo de luxo. O ceticismo sobre o valor aparece quando consumidores ponderam se o preço se justifica. A memória afetiva leva à compra em celebrações e conquistas; o pertencimento funciona como meio de integração social. A autoridade usa o luxo para demonstrar influência e, por fim, o prestígio transforma bens em símbolos visíveis de realizações.
A pesquisa ouviu 7.500 respondentes na América Latina. O levantamento mostrou que 83% dos brasileiros ajustaram hábitos de compra devido à inflação. Consumidores de alta renda, porém, mantêm gastos em experiências premium. O estudo aponta que 26% desse público preservam investimentos em entretenimento, contra 16% de baixa renda. Entre afluentes, 44% declaram ter tempo para lazer. Entre a população de menor poder aquisitivo, essa taxa é de 23%.