
OEm janeiro de 2026, o Brasil registrou 8,7 milhões de empresas inadimplentes, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. O número é inferior ao observado em dezembro de 2025, quando 8,9 milhões de companhias estavam negativadas, e interrompe a sequência de aumentos mensais registrada ao longo de 2025 da série histórica. Ao todo, foram contabilizadas 60,1 milhões de dívidas inadimplidas, que somaram R$ 201,7 bilhões. Em média, cada empresa possuía 6,9 contas negativadas no período.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, apesar da queda registrada em janeiro, o nível de inadimplência ainda permanece elevado. “A redução do número de empresas inadimplentes em janeiro não representa, necessariamente, uma mudança de tendência. A oscilação mensal costuma refletir fatores pontuais, como renegociações e regularizações concentradas no fim do ano, e não uma melhora estrutural da capacidade de pagamento das empresas”, afirma.
PERFIL
A dívida média por empresa foi de R$ 23.138,40, enquanto o ticket médio das dívidas chegou a R$ 3.356,02. Em relação a dezembro de 2025, observa-se leve redução nos indicadores de endividamento, acompanhando o movimento registrado no número total de empresas inadimplentes. Segundo Camila, a dinâmica de janeiro costuma ter características próprias no ambiente corporativo.
“Diferentemente do consumidor, as pressões típicas de início de ano não afetam as empresas com a mesma intensidade. Para o setor empresarial, janeiro tende a ser um mês de pouca variação operacional relevante, já que os maiores desembolsos trabalhistas ocorrem em dezembro. Em alguns segmentos, como comércio e serviços ligados ao varejo, o período ainda conta com liquidações e ajustes de estoque que ajudam a sustentar o caixa”, afirma.
Entre os setores das empresas negativadas, “Serviços” liderou com 55,3% do total em janeiro de 2026. Na sequência apareceram “Comércio” (32,7%) e “Indústria” (8,1%). Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume de negativações também esteve em “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos e Cartões” (19,4%).
Visão nacional
Regionalmente, o Sudeste concentrou 4,84 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026. Na sequência apareceram Sul (1,47 milhão), Nordeste (1,16 milhão), Centro-Oeste (751 mil) e Norte (491 mil). Na comparação com dezembro de 2025, a redução do total nacional não foi homogênea entre as Unidades Federativas. Enquanto estados como Bahia, Goiás, Pernambuco e Maranhão registraram queda no número de empresas negativadas, outros, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentaram aumento no período.
“A variação mensal entre os estados reflete dinâmicas regionais distintas”, explica Camila. “A oscilação de um mês para o outro não ocorre de forma uniforme entre as unidades da Federação e também está relacionada ao peso da base empresarial local, já que unidades com maior base empresarial naturalmente concentram volumes mais elevados de negativações”, complementa.
Do total de 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026, 8,3 milhões eram micro e pequenas empresas, que acumularam R$ 176,1 bilhões em dívidas no período. Esse grupo registrou média de 6,6 contas negativadas por companhia e representa 95,5% do total de CNPJs negativados no país. “As micro e pequenas empresas, que concentram a maior parte das companhias inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo. Em um cenário de custo financeiro elevado e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação e de alongamento das dívidas fica reduzida, o que ajuda a explicar a concentração da inadimplência nesse grupo”, finaliza Camila.