
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24), que o mais novo desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrado nesta quinta-feira (24) aponta para a existência de um extenso esquema de lavagem de dinheiro atuante no setor de combustíveis do país.
“O que nós estamos identificando são fundos de investimento. São fundos de investimento que são usados dentro de outros fundos de investimento, que são propriedade de uma administradora de recursos ou um só banco, que fazem o papel de ocultação de patrimônio”, afirmou Durigan.
O ministro, que chamou a estrutura criminosa de “lavanderia” do crime, afirmou que a Receita Federal conta com um sistema de inteligência para identificação de todos os envolvidos nos delitos.
“[…] Essa ‘lavanderia’ no Brasil, daqui por diante, com os sistemas automatizados usando inteligência artificial da Receita, vão ser mais prontamente identificados”, reiterou o ministro.
Operação Crédito Oculto
A fala de Durigan foi feita após a Receita anunciar, nesta manhã, a Operação Crédito Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que teve início em 2025.
Ao todo, 32 locais estão sendo vasculhados em onze cidades durante as diligências, que envolvem promotores, policiais e auditores fiscais. Entre os alvos, está o empresário Antonio Carlos Freixo Jr, dono da Entre Investimentos, empresa usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões para financiar o filme Dark Horse. Segundo Durigan, o conglomerado financeiro é um dos focos da investigação.
“Agora nós estamos olhando para a próxima etapa, que é, em especial, sobre a Entre, é uma empresa que funcionou, também, como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro”, afirmou o ministro.
O chefe da pasta também detalhou que todas as apurações decorrentes da Operação Carbono Oculto apontam que o esquema criminoso atuaria de forma “circular”, por meio de “braços financeiro” do crime organizado, que viabilizam que os recursos movimentados na estrutura voltem, eventualmente, para as mesmas figuras iniciais.
“Nós estamos falando de fundos de investimento, administradores de recursos, bancos, gestores de investimento, que estão atuando em prol do crime organizado. São braços financeiros do crime organizado, ajudam a lavar dinheiro de maneira circular”, destacou.
“O dinheiro que vem do crime organizado, de organizações criminosas, que vem da distribuição de combustíveis e que, de alguma maneira, passa por essas lavanderias do crime organizado e volta para os mesmos interessados, para as mesmas figuras, muitas delas já com delação premiada e com investigação na justiça”, acrescentou.
Fonte: R7

