
O cenário atual de prognósticos para o El Niño foi tema de discussão do 1º Encontro de Conexão – Ciência e Defesa Civil nesta quinta-feira, no Auditório do Centro Administrativo de Contingência (CAC), em Porto Alegre, estrutura utilizada para a administração da crise por parte do governo do Estado durante a enchente. Com o tema “A preparação integrada em um cenário de El Niño”, a atividade promovida pelo órgão, que segue até as 19h, reúne especialistas de diferentes instituições da academia, em conjunto com agentes para tratar do que é esperado para o fenômeno, que chega novamente ao Rio Grande do Sul. O evento faz parte da série de atividades que o governo do Estado organiza nesta semana para relembrar os desastres de maio de 2024.
O evento contou com a participação de representantes de universidades gaúchas, diante do seu papel estratégico de desenvolvimento científico voltado à prevenção de desastres, análise de vulnerabilidades, monitoramento hidrometeorológico e produção de conhecimento adaptado à proteção da população.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, destacou que o órgão conta, hoje, com um corpo técnico que não havia nos eventos extremos de 2023 e 2024, com um suporte maior para tomada de decisões diante da previsão de novos episódios neste ano. Porém, destacou a importância de também ouvir especialistas da academia em conjunto. “O governo do Estado, quando define a estratégia de reconstrução, adaptação e resiliência para o que passamos em 2024, traz para dentro da governança deste plano o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática, justamente para ter o suporte da academia em muitas decisões que foram tomadas. É neste sentido que, hoje, resolvemos convidar as universidades para que tenham esse momento conosco, para ouvi-los também”, disse.
Boeira aproveitou para, também, pontuar que é necessário ter cautela com as previsões para o fenômeno no segundo semestre. “Hoje, o que temos é o acompanhamento de que teremos o El Niño para o segundo semestre, que é o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e que traz contribuições para o clima no Estado, como tempestades severas, granizo, inundações e tornados. Não excluímos nenhum desses cenários pela Defesa Civil, mas não podemos afirmar hoje que teremos eventos extremos. Temos que ter o monitoramento e acompanhamento, e conversar com o maior número de profissionais possíveis”, complementa.
O primeiro painel técnico da tarde foi com a fala de Elisa Helena Fernandes, professora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que tratou da atuação do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX), da própria instituição, que foi instituída a partir do evento de maio de 2024. O centro atua com trabalho integrado em parceria com outras universidades, como a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), juntamente com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH-UFRGS), além de outros órgãos públicos, como a Casa Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros, além de outras instituições apoiadoras. A sede foi inaugurada em novembro de 2025, e os pilares estratégicos do centro vão desde a pesquisa, inovação e tecnologias climáticas, até o monitoramento, previsão, educação climática, capacitação, governança climática e gestão de riscos.
Fonte: Correio do Povo