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Elevação repentina do rio surpreendeu São Sebastião do Caí e 220 pessoas foram levadas para abrigos

Defesa Civil de São Sebastião do Caí não estima, por enquanto, quando o rio Caí deverá retornar ao leito Foto : Alina Souza/CP

O comportamento do rio Caí surpreendeu a Defesa Civil e moradores de São Sebastião do Caí durante a enchente provocada pelas chuvas deste início de semana. O nível subiu rapidamente durante a tarde e a noite de segunda-feira, atingiu 14,16 metros por volta das 5h desta terça-feira e, desde então, passou a baixar de forma lenta. Com as famílias retiradas das áreas atingidas, 220 pessoas permanecem em abrigos municipais.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Germano Bacedoni Neto, o rio chegou a subir mais de 80 centímetros por hora em três momentos durante a tarde de segunda-feira. O comportamento foi considerado incomum para o município, que costuma registrar elevações mais graduais. “O mais incomum dessa vez foi o comportamento do rio, que subiu repentinamente e está descendo devagar”, afirmou.

Após atingir a cota máxima, o Rio Caí estabilizou por volta das 6h. Às 10h, a última medição divulgada pela Prefeitura apontava 13,97 metros. A redução ainda era considerada lenta pelas equipes.
A Defesa Civil não estima, por enquanto, quando o rio deverá retornar ao leito. Segundo o coordenador, a previsão é que isso ocorra quando o nível chegar a aproximadamente 10,50 metros.

Famílias aguardam em abrigos

A elevação do rio provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade e levou à retirada de moradores. Conforme a Prefeitura, 84 famílias, totalizando 220 pessoas, estavam nos abrigos municipais durante a manhã.

O coordenador da Defesa Civil informou que o plano de contingência foi acionado ao meio-dia de segunda-feira. As equipes passaram a trabalhar na remoção de moradores das áreas de risco e, segundo ele, os Bombeiros Voluntários realizaram mais de 10 resgates de pessoas que ficaram ilhadas e não conseguiam mais deixar suas casas.

A ERS 124, no sentido Montenegro, permanece bloqueada. Também não há passagem pelas pontes do Matiel, que ligam São Sebastião do Caí a Pareci Novo e Harmonia.

“Perdemos tudo”, conta moradora

Entre os moradores que acompanhavam a situação estava a aposentada Loreci Fátima dos Santos, de 63 anos. Na manhã desta terça-feira, ela observava o nível do rio no Centro ao lado da neta Kaine Santos, de 3 anos.

A filha de Loreci mora nos fundos do terreno da mãe, na rua Jasmim, no bairro Angico, uma das áreas atingidas pelas águas do Rio Cadeia, afluente do Caí. A família havia acompanhado a elevação da água durante a noite e, inicialmente, acreditou que ela não chegaria à residência.

“A gente olhou de noite e achou que não viria água. As roupas estavam no varal. Eles perderam tudo. As roupinhas dela (neta), não se salvou nada”, contou Loreci. Segundo ela, a família também perdeu animais, como galinhas e perus.

Na enchente anterior, a família precisou ficar oito dias fora de casa. A residência de Loreci não costuma ser atingida e, por conta disso, a filha foi para o imóvel da mãe. “Infelizmente, a nossa cidade está novamente nessa situação crítica”, afirmou.

Morador acompanha correnteza

Enquanto algumas famílias precisaram deixar suas casas, outros moradores permaneceram próximos às áreas atingidas para verificar os prejuízos. É o caso de Érico Müller, de 58 anos, dono de um posto de lavagem há 32 anos. Ele conta que conseguiu retirar os equipamentos e objetos antes que a água provocasse danos maiores.

Nesta terça-feira, mesmo com o rio elevado, voltou caminhando ao local para verificar uma parede que havia sido danificada na enchente de 2024 e que ainda lhe preocupava. “O restante do imóvel é novo e foi construído depois da enchente. Eu só fui ver se estava tudo certo”, relatou.

Segundo ele, não houve novos danos significativos no estabelecimento. Acostumado a acompanhar as cheias do Caí, Müller chegou a caminhar próximo à área de correnteza para observar a situação. “Já sou acostumado a andar. A correnteza está forte. Só eu mesmo para caminhar na água”, brincou.
A Defesa Civil mantém as equipes mobilizadas enquanto o rio segue baixando lentamente. A orientação é para que moradores evitem áreas alagadas e não tentem atravessar pontos onde a correnteza ainda apresenta risco.

Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo

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