
O começo do El Niño é considerado iminente pela MetSul Meteorologia, com possibilidade de instalação do fenômeno nas próximas semanas. Dados da NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, mostram que as anomalias de temperatura do mar no Pacífico Equatorial já atingiram níveis compatíveis com El Niño pelo método antigo e tradicional de monitoramento, chamado de ONI (Oceanic Niño Index).
Apesar disso, a NOAA ainda não declarará oficialmente o início do fenômeno tão cedo, porque passou a utilizar neste ano um novo sistema de monitoramento, chamado Roni. Pelo novo critério, o aquecimento ainda está abaixo do limite oficial de El Niño, mas, nos próximos dias, as condições passarão a ser de El Niño também pelo novo critério de monitoramento.
A mudança de critério de monitoramento foi feita pela agência norte-americana porque os oceanos estão mais quentes em todo o planeta, devido ao aquecimento global, o que poderia distorcer a análise, utilizando apenas médias históricas fixas usadas no sistema tradicionalmente utilizado nas últimas décadas.
O novo índice compara o Pacífico Equatorial com o restante dos oceanos tropicais, para tentar identificar de forma mais precisa se existe realmente um aquecimento característico de El Niño. A NOAA acredita que o novo método permitirá classificações mais realistas sobre intensidade e evolução dos eventos.
Mesmo sem a declaração oficial pela NOAA, que deve ocorrer entre junho e julho, vários indicadores mostram que a atmosfera e o oceano já começam a entrar em modo de El Niño. Meteorologistas no mundo inteiro têm se espantado com a enorme quantidade de água excepcionalmente quente abaixo da superfície do Pacífico Equatorial.
Há áreas com temperaturas entre 8ºC e 9ºC acima da média até cerca de 200 metros de profundidade. Esse calor nas profundezas começa agora a emergir para a superfície do mar e tende a intensificar ainda mais o aquecimento oceânico nas próximas semanas com a instalação do El Niño.
As projeções deste mês dos principais modelos climáticos aumentaram o alerta para o risco de um evento excepcionalmente forte de El Niño no segundo semestre deste ano. Se as projeções desses modelos internacionais se confirmarem, há potencial para o El Niño de 2026-2027 ser um dos mais intensos em décadas.
Alto risco
Os impactos do fenômeno devem começar ainda neste fim de outono e no começo do inverno, à medida que oceano e atmosfera se acoplam. Inicialmente, os efeitos serão sentidos entre parte do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, com chuva acima a muito acima da média neste fim de outono entre Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e parte de Santa Catarina, inclusive com risco de inundações.
Segundo avaliação da MetSul, os períodos mais críticos para o Rio Grande do Sul devem ocorrer no segundo semestre deste ano, entre setembro e novembro, e entre abril e maio do próximo ano, com chuva acima a muito acima da média e risco de cheias de rios com inundações e temporais frequentes. Os meses de outubro e novembro, conforme as projeções de hoje, são de risco muito alto.
Haverá enchente como a de 2024?
– O El Niño que está chegando, e terá seu pico no último trimestre deste ano, pode ser mais intenso que o de 2023-2024, mas isso não significa que haverá uma repetição do ocorrido em 2024, embora o risco de enchentes aumente muito.
– A MetSul enfatiza que cada El Niño tem sua própria história e a relação não é linear entre sua intensidade e o tamanho das enchentes no Rio Grande do Sul. Os episódios de El Niño de 1982-1983 e 1997-1998 foram mais intensos que o de 2023-2024 e não causaram desastres com as dimensões de maio de 2024, apesar de terem produzido graves consequências.
– Que haverá cheias – e até grandes – no Estado e em outras áreas do Sul do Brasil nos próximos meses, a MetSul Meteorologia considera como uma quase certeza. No entanto, a real dimensão das inundações depende de outros fatores atmosféricos, além do El Niño, e cujos prognósticos somente podem ser feitos em mais curto prazo.
Fonte: Luiz Fernando Nachtigall e Estael Sias / MetSul Meteorologia