
O Ministério da Saúde detalhou, nesta quarta-feira, as estratégias para enfrentar os efeitos do fenômeno climático El Niño no país. Segundo o órgão, o fenômeno já atua com intensidade “forte”, podendo chegar a “muito forte” ainda neste mês e se estender até março de 2027. O plano do ministério, chamado AdaptaSUS, prevê um investimento de R$ 9,8 milhões em ações de resiliência climática. Porto Alegre já recebeu duas das principais estratégias: um Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) e uma base da Força Nacional do SUS.
“Nós queremos reafirmar cada vez mais que a crise climática é, acima de tudo, uma crise de saúde pública. É urgente a adaptação dos sistemas de saúde para enfrentar as mudanças climáticas, porque hoje as pessoas já morrem”, disse o ministro Alexandre Padilha em entrevista coletiva.
O órgão projeta que, na Região Sul do Brasil, o El Niño deve provocar chuvas intensas, temporais e inundações, especialmente durante a primavera. O cenário aumenta o risco de afogamentos e ferimentos graves, leptospirose e doenças causadas pela água contaminada, gastroenterites, hepatite A e febre tifoide, além da interrupção de serviços de saúde. O forte calor do verão gaúcho também preocupa o ministério.
“Existe um impacto quase silencioso, que é o aumento da temperatura média, que leva doenças para lugares onde elas não existiam”, afirmou Padilha, citando os surtos de dengue registrados no Rio Grande do Sul em anos anteriores.
O ministro também citou estudos da Fiocruz que apontam que 120 mil pessoas morreram no Brasil, nos últimos 20 anos, em decorrência do aumento da temperatura média. A fundação também já identificou que a elevação da temperatura média está associada a um maior risco de nascimentos prematuros. Para enfrentar essa realidade, o ministério criou um protocolo nacional de calor extremo.
“Você abre o aplicativo Meu SUS Digital no celular e tem acesso às ações de mudanças climáticas, da preparação para mudanças climáticas do AdaptaSUS. Você pode ter acesso ali ao protocolo de calor extremo, com orientações dos profissionais de saúde para as famílias. Há uma preocupação muito grande com o cuidado aos idosos diante do calor extremo e do aumento da temperatura média”, disse o ministro.
Alexandre Padilha destacou, no entanto, que as campanhas de conscientização e prevenção aos riscos das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño devem ser regionais, pois os efeitos são diferentes em cada parte do país. No Rio Grande do Sul, o ministro citou como medidas a reabertura de UTIs no Hospital de Canoas, a entrega de 187 ambulâncias no Estado, o reajuste da tabela e a ampliação do programa “Agora Tem Especialistas”, além do aumento da realização de cirurgias eletivas, com um milhão de procedimentos no RS ao longo do ano passado.
“A base descentralizada da Força Nacional do SUS em Porto Alegre é a maior que nós temos. Ela aumentou em 20 vezes a capacidade de resposta nas primeiras 12 horas, a presença de profissionais e equipamentos da Força Nacional do SUS no Rio Grande do Sul. Eu diria que nós estamos mais preparados. O Rio Grande do Sul está mais preparado. Tenho certeza absoluta de que a população do Rio Grande do Sul hoje está mais atenta às mudanças climáticas”, completou Padilha.
Ele também citou o Centro de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre. Em todo o país são nove unidades que monitoram acumulados de chuva e níveis dos rios para orientar gestores locais. Também apoiam a elaboração de Planos de Contingência para Chuvas Intensas, linhas de cuidado em saúde mental pós-desastre, além da emissão de alertas e boletins e da qualificação de equipes.
Fonte: Renê Almeida/Correio do Povo

