
Dois homens ligados a facção Bala na Cara serão julgados nesta terça-feira em Posadas, capital da província Misiones, na região Nordeste da Argentina, pelo assassinato do comerciante Cristian Javier Díaz, de 31 anos. O homem teria sido morto pela suspeita de ele ter sido responsabilizado pela apreensão de mais de 150 quilos de maconha. O ataque ocorreu na madrugada de 8 de maio de 2022. Os dois, um de 24 anos e outro de 26, foram presos quando estavam prestes a embarcar em um ônibus com destino à fronteira.
Os dois são acusados de disparar seis vezes contra o comerciante utilizando uma pistola 9mm em seu estabelecimento comercial, localizado no cruzamento das ruas 95 e 74, no bairro Yacyretá. Um argentino, que forneceu a arma e a logística para executar o ataque, nunca foi encontrado, mesmo com a identificado obtida pela Divisão de Homicídios da Polícia de Misiones.
Os supostos assassinos serão julgados por um tribunal composto por três juízes, que determinaram a presença de dois intérpretes em todas as audiências, uma vez que ambos os réus declararam não entender e nem falar espanhol. Eles teriam entrado na Argentina por Santo Tomé no dia 3 de maio e hospedaram-se no bairro Luis Piedrabuena, onde morava o contato local da quadrilha. O homem, cujo sobrenome é Rodríguez, além da arma, também forneceu e pilotou o automóvel para o deslocamento até o local do crime e também para a fuga.
O crime ocorreu às 3h da madrugada de um domingo. Os dois foram até o comércio da vítima, que funcionava 24 horas, e pediram uma cerveja. Assim que Díaz se virou para pegar a garrafa, a dupla disparou seis vezes contra o homem, que caiu morto. A esposa do comerciante ouviu os disparos, tentou proteger os filhos e ainda conseguiu visualizar o Fiat Duna branco (similar a Elba, no Brasil) utilizado para a fuga, o que foi fundamental para a investigação e a chegada até os assassinos.
Através de câmera de segurança, a polícia conseguiu reconstituir a rota do veículo graças a cor, mas também pelo automóvel ter algumas luzes estragadas. O último registro visual do Duna ocorreu quando ele entrou no bairro Luis Piedrabuena, muito próximo ao terminal rodoviário de Posadas.
Policiais localizaram o carro e realizaram vigilância. No dia seguinte ao crime, dois jovens saíram da casa onde estava o veículo e pegaram um transporte privado até à rodoviária. O objetivo da dupla era pegar um ônibus até Santo Tomé, na província de Corrientes, o ponto de travessia internacional escolhido para o retorno para Porto Alegre. Porém, eles foram presos.
A Polícia Civil do Brasil confirmou que um deles, pelo menos, tinha antecedentes criminais por posse de drogas e armas e roubo qualificado, além de supostamente ser um dos membro da organização criminosa “Bala na Cara”, uma “das mais violentas do estado do Rio Grande do Sul”, informou o jornal Clarín.
Ainda de acordo com o periódico, a organização criminosa de Porto Alegre mantinha contatos com traficantes que operavam em Misiones. Embora os investigadores não pudessem confirmar isso de forma definitiva, havia uma forte suspeita de que a quadrilha que fornecia maconha aos brasileiros acreditava que um certo Díaz havia passado a informação que levou à apreensão de uma caminhonete contendo 155 kg da droga, veículo que estava estacionado em frente à mesma casa onde os pistoleiros estavam hospedados. A operação policial em que a maconha foi apreendida ocorreu em outubro de 2021.


