
O discurso recente do presidente Donald Trump, sobre a ação militar dos Estados Unidos no Irã, não trouxe absolutamente nenhum dado ou informação nova relevante. Ele, basicamente coisas que já vinha expressando por meio das redes sociais, ou até mesmo fazendo pequenas declarações para imprensa. A opinião é do Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.
No seu entendimento, o mercado e a população esperavam uma posição um pouco mais clara, específica e objetiva, seja uma afirmação de que em X dias estaria encerrado, ou de que iria prosseguir para uma invasão ou algo mais sério. “O discurso do Trump deixa de uma certa forma tudo muito vago, mas, ao mesmo tempo, ele fala que o conflito vai durar mais 2 ou 3 semanas. E a tradução disso é que os Estados Unidos não vão permanecer na região e num conflito por mais 2 ou 3 semanas fazendo nada ou andando de lado, ou seja, da forma que o conflito já tem se desenrolado nos últimos dias”, diz Corano.
Segundo ele, as chances de os americanos, durante esse tempo, entrarem num processo de escalada de agressão, seja tomando a ilha de Kharg, seja destruindo a infraestrutura de energia e outras infraestruturas iranianas. E potencialmente durante este feriado pode ser uma ótima data, porque historicamente Trump tem usado justamente os finais de semana para fazer ações com a ideia de não criar, ou pelo menos com uma intenção de tentar preservar minimamente a reação de mercado. Todos os finais de semana, nesse pouco tempo de ações militares, ele tem construído essa percepção.
“Os efeitos então vão ser de um petróleo que vai seguir subindo e que, consequentemente, vai pressionar ainda mais a inflação global, porque, por mais que os Estados Unidos não tenham uma dependência em particular do petróleo que é escoado pelo Estreito de Ormuz, ainda assim, o petróleo impacta em uma série de outras coisas que os americanos importam. O petróleo está presente no plástico, nas resinas, tinta de parede, no piso, e em tantas outras coisas”, diz.
Nos Estados Unidos, o combustível é reajustado diariamente e os americanos já estão sentindo isso na pele a cada dia que eles vão abastecer. O preço do combustível já subiu muito. Na Califórnia, já passou de US$ 4,50 o galão. Entretanto, tudo isso pode cair por terra do momento que se essa escalada conseguir de uma maneira definitiva liberar o estreito tomar a ilha de Kharg e anular por completo a infraestrutura, a capacidade do Irã de seguir gerando ataques. Isso iria produzir um alívio imediato nos mercados.
“É muito interessante dizer que Trump, algumas vezes nas últimas duas semanas, afirmou que 100% da infraestrutura militar iraniana tinha sido destruída. Mas a provocação que eu faço é que então os 0% que ainda existem seguem gerando um tremendo incômodo, tanto que eles conseguem manter o estreito fechado e seguem bombardeando países vizinhos diariamente”, comenta.