
A Copa do Mundo 2026 pode gerar um aumento de aproximadamente 69% no ticket médio de compras no varejo alimentar duas horas antes de partidas da seleção brasileira e 8,3% no fluxo em loja um dia antes dos jogos, aponta a Scanntech por meio do ScannShopper, plataforma que acompanha o comportamento do shopper ao longo do tempo, identificando tendências, padrões e mudanças relevantes para o varejo. Os números dizem respeito às médias destes indicadores durante a última Copa do Mundo, no Catar, em 2022, e são conservadores, tendo em vista que o cenário da Copa 2026 é mais favorável ao consumo.
“Apesar de o cenário externo estar mais incerto hoje, com a guerra no Irã, do que em 2022, temos menor pressão inflacionária e maior renda média real no Brasil, trazendo perspectiva positiva de consumo”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech. Além disso, enquanto a última Copa durou 29 dias e 64 jogos — maioria em horários entre 13h e 16h no Brasil —, a deste ano durará 39 dias e 109 partidas, com maior incidência de jogos do Brasil entre 19h e 23h, após o horário comercial, e aos sábados.
“O maior pico de tickets de venda durante campeonatos anteriores ocorreu justamente nas partidas do Brasil disputadas aos sábados, com aumento de 18,8% no fluxo em loja no dia anterior, 10,2% no dia do jogo e 9,9% no dia seguinte. Se o Brasil avançar até a final, o impacto no varejo deve ser extremamente positivo”, afirma Passarelli.
O levantamento, que analisou o “efeito partida” em grandes campeonatos internacionais, considerando não apenas a última Copa do Mundo, mas também a Copa Intercontinental, o Campeonato Mundial de Clubes e a Copa Libertadores de 2025, mostra tendência de antecipação de compras relacionadas a eventos sociais para assistir às partidas.
Mesmo considerando a média de todos os campeonatos analisados — a Copa do Mundo tem maior impacto do que os outros eventos — a maior variação de ticket médio acontece um dia antes da véspera do jogo (24,4%), quando o fluxo em loja sobe +6,7% na comparação com dias comuns. Já no dia do jogo, o aumento no fluxo em loja é de 3,7% em média, com crescimento total no ticket médio irrelevante (+0,8%), mas subida de 19,1% no ticket médio duas horas antes da partida, seguida por queda durante e após a disputa.
“O que percebemos com esse levantamento é que o torcedor brasileiro tende a antecipar suas compras para não ter que sair de casa próximo à partida — correndo o risco de não conseguir chegar a tempo para a comemoração com amigos —, caracterizando uma missão mais planejada, como evidenciam os dados da véspera da partida. No entanto, existe também a missão de emergência: os dados registrados 2h antes do jogo revelam que não pode haver ruptura no ponto de venda.”, diz Passarelli.
PICO DE VENDAS
Produtos ligados a momentos de conexão, em especial os de churrasco e snacks, são os com maior pico de vendas durante campeonatos de futebol. Nos dias de jogos do Brasil na Copa de 2022, houve crescimento médio de 227% na venda de churrasqueiras, 120% em pipoca de microondas, 112% em airfryer, 86% em amendoim salgado e 67% em espetinho bovino, as cinco principais categorias influenciadas. Frango inteiro (60%), salgadinho de trigo (55%), maminha bovina (53%), salame (43%), tábua de frios (41%), queijo coalho (40%), gelo (35%), chopp (29%) e picanha (29%) também entraram com força no carrinho do consumidor torcedor em 2025 e 2022.
“Para além dos itens de churrasco, que tradicionalmente sobem em momentos propícios à comemoração em grupo, nós acreditamos que a tendência que temos visto nos últimos anos, de busca por saudabilidade, impacte também o consumo durante a Copa de 2026. A cerveja de baixa caloria cresceu 86% nos últimos 12 meses e a zero álcool, 27%. O refrigerante zero também é uma tendência, com subida de 42%”, diz Passarelli.
Com base nesses dados, a Scanntech recomenda que o varejo se prepare para a Copa investindo em três frentes estratégicas: sortimento de produtos alinhado às missões de compra e ao perfil de cada canal; abastecimento inteligente, garantindo disponibilidade nos momentos de maior demanda; e organização da visualização em loja orientada pelo cross-sell, com destaque para os produtos complementares àqueles de compra principal do consumidor.