
O índice de Confiança do Comércio (ICOM) do FGV IBRE recuou 4,0 pontos em fevereiro, para 87,3 pontos, após cinco meses sem quedas. Em médias móveis trimestrais, houve queda de 0,3 ponto, para 89,0 pontos. A confiança do comércio caiu após cinco meses sem resultados negativos, tendo como principal fator uma reversão na tendência das expectativas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).
“A queda foi influenciada principalmente pelo recuo nas projeções de vendas para os próximos meses, após um período de tendência positiva que incluiu avanço expressivo na virada do ano. Já as avaliações sobre a demanda atual, que se aproximavam da neutralidade, também recuaram, levando o indicador ao menor nível desde o início de 2022. O varejo inicia 2026 ainda enfrentando um ambiente desafiador, sem perspectiva de alívio da política monetária no curto prazo e alto endividamento das famílias, embora o mercado de trabalho siga sustentando a renda e ajude a conter os impactos sobre a demanda. A recente reversão das expectativas indica maior cautela por parte dos empresários justamente quanto à sustentação dessa demanda.”, afirma Geórgia Veloso, economista do FGV IBRE.
Em fevereiro, a queda da confiança ocorreu de maneira disseminada nos seis principais segmentos do setor e foi influenciada por ambos os horizontes temporais da pesquisa. O Índice de Expectativas (IE-COM) recuou 4,2 pontos, para 89,5 pontos, após cinco altas consecutivas. Os quesitos que o compõem apresentaram resultados no mesmo sentido: o indicador que mede as perspectivas de vendas nos próximos três meses recuou 5,8 pontos, para 92,1 pontos, após cinco altas consecutivas, e o que avalia as expectativas sobre a tendência dos negócios nos próximos seis meses recuou em 2,3 pontos, para 87,3 pontos.
O Índice de Situação Atual (ISA-COM) também recuou, em 3,9 pontos, para 85,6 pontos, menor nível desde abril de 2021 (82,3 pontos). O quesito que mede a avaliação sobre a situação atual dos negócios, caiu 2,9 pontos, para 86,2 pontos e o indicador que avalia o volume de demanda atual recuou 4,8 pontos, para 85,4 pontos, menor nível desde fevereiro de 2022 (84,7 pontos).