Com aplausos e vivas, centenas de amigos, familiares, autoridades e populares se despediram de Luis Fernando Verissimo no velório que teve a duração de pouco mais de cinco horas e meia no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa, que foi encerrado às 17h deste sábado, em Porto Alegre. Logo depois, familiares e amigos mais próximos foram para a despedida mais reservada no Cemitério São Miguel e Almas ao cair da tarde.
Durante a tarde deste sábado passaram pelo local para prestar sua homenagem a Verissimo e aos familiares, autoridades como o ex-prefeito Raul Pont e o ex-governador Pedro Simon e Marcos Rolim e nomes das artes como os cartunistas Santiago e Edgar Vasques, os escritores Sergio Faraco, Luiz Coronel, Sergius Gonzaga, os jornalistas Jorge Polydoro, Marcio Pinheiro, Marcelo Menna Barreto, Lucia Matos, Dulce Helfer, entre outros.
Pela manhã, autoridades como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas, o deputado federal Paulo Pimenta, o ex-governador Tarso Genro prestaram condolências à família de Verissimo e se despediram o escritor, bem como o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo,
Luis Fernando Verissimo morreu na madrugada deste sábado, às 0h40min, aos 88 anos. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre há quase duas semanas. O autor deixa a esposa Lucia Helena e os filhos Pedro, Mariana e Fernanda Verissimo e os netos Lucinda e Davi.
CARREIRA
Filho do escritor Erico Verissimo e de Mafalda Verissimo, Luis Fernando nasceu em 26 de setembro de 1936. Ele viveu parte de sua infância e sua adolescência nos Estados Unidos, com a família, em função de compromissos profissionais assumidos por seu pai que era professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (1943-1945) e diretor cultural da União Pan-americana em Washington, D.C. (1953-1956). Como consequência disso, cursou parte do primário em San Francisco e Los Angeles, e concluiu o secundário na Roosevelt High School, de Washington.
Luis Fernando seguiu os passos do pai Erico na literatura e se tornou conhecido por seus textos em formato de crônicas, contos e poemas. Na década de 1980, além de seu personagem mais famoso, “O Analista de Bagé”, publicou também “Sexo na Cabeça”, “A Mesa Voadora”, “O Jardim do Diabo” e “Orgias”; nos anos 1990, “O Santinho”, “A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto”, “Gula – O Clube dos Anjos” e “Histórias Brasileiras de Verão”; na década de 2000, “A Décima Segunda Noite”, “Banquete Com Os Deuses”, “Comédias Para Se Ler Na Escola” e “Os Espiões”; e também obras mais recentes como “Diálogos Impossíveis” e “Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos”.
Ele tem mais de 80 livros publicados e quase 6 milhões de cópias vendidas dos seus livros, entre os quais os mais vendidos são “As Mentiras Que Os Homens Contam” e “Comédias Para Se Ler na Escola”, além “O Analista de Bagé” e “Comédias da Vida Privada. Além das obras próprias, escrevia colunas para jornais como O Estado de S.Paulo, Zero Hora e O Globo. De março de 1970 a outubro de 1975, ele trabalhou na Folha da Manhã, veículo da Empresa Jornalística Caldas Júnior, onde manteve sua coluna diária na página 4 e depois na página 6, escrevendo sobre esporte, cinema, literatura, música, gastronomia, política e comportamento, sempre com ironia e ideias muito particulares sobre os temas, além de pequenos contos de humor que ilustram seus pontos de vista. No periódico da Caldas Junior, ficaram famosas os seus personagens em quadrinhos, As Cobras.
MÚSICA
A partir de 1960, Luis Fernando Verissimo se integrou para tocar saxofone no grupo Renato e Seu Conjunto, ficando o grupo com o nome Renato e Seu Sexteto. Eles tocaram em bailes até 1962, quando LFV foi viver no Rio de Janeiro com o sonho que tinha de ser roteirista ou cineasta. O detalhe é que o grupo apesar de ser um sexteto chegou a ter nove integrantes, sendo considerado o “maior sexteto do mundo”. Em 1995, por iniciativa do contrabaixista Jorge Gerhardt, foi criado o grupo Jazz 6, considerado “o menor sexteto do mundo”, com apenas cinco integrantes: Luis Fernando Verissimo no saxofone e Jorge Gerhardt no contrabaixo, além de Luiz Fernando Rocha (trompete e flugelhorn), Adão Pinheiro (piano) e Gilberto Lima (bateria). Com Gerhardt, Rocha, Pinheiro e Lima “músicos em tempo integral”, o grupo dependia da agenda de Verissimo para realizar apresentações, mas chegaram a lançar cinco CDs: “Agora é a Hora” (1997), “Speak Low” (2000), “A Bossa do Jazz” (2003), “Four” (2006) e “Nas Nuvens” (2011).
Fonte: Correio do Povo