Com a intensificação do fluxo de veranistas no Litoral Norte, a Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) segue priorizando as ações preventivas como principal estratégia para reduzir ocorrências graves no mar. O balanço parcial da 9ª Operação Verão 2025/2026 indica números semelhantes aos do mesmo período da temporada passada, com leve crescimento em alguns indicadores, considerado dentro da normalidade pelos responsáveis pela operação.
De acordo com o comandante da Operação Verão do CBMRS, major Jocemarlon Acunha Pereira, o aumento registrado em salvamentos, prevenções e atendimentos está diretamente ligado à maior presença de pessoas nas praias. “Nós percebemos um número maior de banhistas neste verão, muito em função dos feriados prolongados de Natal e Ano Novo, que caíram no meio da semana, além das boas condições climáticas em janeiro. A água do mar ficou morna mais cedo, houve poucos dias de chuva e isso acabou mantendo mais gente na praia por mais tempo”, explica.
Os dados acumulados mostram que o número de prevenções segue sendo o mais expressivo da operação. Segundo o major, esse indicador é reflexo direto da metodologia adotada pelo Corpo de Bombeiros. “A nossa maior diferença em relação aos outros números é exatamente a prevenção. A gente trabalha para evitar que a pessoa chegue ao ponto de precisar de um salvamento. Quando os números não são discrepantes, mesmo com mais gente no litoral, isso demonstra o sucesso do trabalho preventivo”, avalia.
Ainda assim, o comandante ressalta que muitos resgates ocorrem por desinformação dos banhistas. “Muitas pessoas acreditam que saber nadar é suficiente, mas a corrente de retorno pode puxar até um excelente nadador. Por isso, o nosso principal legado é reforçar que as pessoas se banhem próximas às guaritas, nos horários em que há guarda-vidas. Como dizemos: se eu posso vê-lo, eu posso protegê-lo”,
Estrutura reforçada e resposta mais rápida
Nesta temporada, o CBMRS ampliou e qualificou os equipamentos utilizados na operação. Todas as praias monitoradas contam, no mínimo, com uma moto aquática e um ou dois quadriciclos, além de rádios de comunicação e binóculos em todas as guaritas. Em alguns pontos, há ainda mais de uma moto aquática disponível.
Outro reforço importante é a disponibilidade de uma aeronave, baseada em Osório, pronta para ser acionada sempre que uma ocorrência exigir uma resposta mais complexa ou rápida. “Quando percebemos que os meios terrestres ou aquáticos não são suficientes, a aeronave é acionada imediatamente”, destaca o major.
Um dos principais destaques do balanço até o momento é o aumento significativo de lesões causadas por águas-vivas. O fenômeno, segundo Acunha, está relacionado à predominância das correntes que trazem águas mais quentes do Norte para o Sul, favorecendo a presença desses organismos no Litoral.
Para lidar com a situação, o CBMRS investiu na aquisição de vinagre, distribuído em todas as guaritas ativas. “É importante reforçar que vinagre é o único produto indicado. Água doce, gelo ou qualquer outra substância não ajudam. Sempre que o banhista procura auxílio, isso é contabilizado e registrado em relatório ao final de cada turno”, ressalta.
Pontos que exigem mais atenção
Torres segue sendo a praia que demanda maior atenção da operação, principalmente em áreas próximas a formações rochosas, como a Praia da Guarita. “A característica geográfica cria correntes de retorno permanentes. Mesmo com prevenção e sinalização, é um local naturalmente mais perigoso”, ressalta o comandante.
No restante do litoral, as condições seguem dentro da normalidade, com correntes de retorno variando conforme a mudança do vento, característica comum do mar aberto da região.
Números da Operação Verão
Até o momento, a 9ª Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar registra 436 salvamentos em todo o Estado, sendo 367 no Litoral Norte, 45 no Litoral Sul e 24 em águas internas.
As ações preventivas somam 296.221 orientações, com ampla concentração no Litoral Norte (233.067).
O número de pessoas encontradas chega a 831, enquanto as lesões provocadas por águas-vivas ultrapassam 90 mil atendimentos.
Até 22 de janeiro, havia sido registrado um óbito em área monitorada. Em áreas não monitoradas, os dados oficiais apontam 3 mortes por afogamento no mar e 24 em águas internas.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo