
A detecção de um foco da Doença de Newcastle (DNC) em uma granja de aves em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, anunciada na segunda-feira (19) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), já afeta o fluxo comercial do Brasil com alguns importadores. A pasta suspendeu a exportação de carnes de frango para a China e o Chile. A restrição, no entanto, foi limitada apenas ao estado vizinho, após negociação conduzida pelo governo brasileiro. Para o México, foram suspensos os embarques provenientes de todo o território nacional. Fontes do setor apostam em agilidade para retomar as negociações e tendência de embargos “regionalizados”.
O bloqueio cautelar e temporário adotado pelo Mapa com os mercados mencionados é uma exigência dos protocolos bilaterais firmados com cada país. Em comunicado, a pasta informou nesta terça (20) que “mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas”.
De janeiro a setembro deste ano, o Brasil exportou 4,4 milhões de toneladas de carnes de aves, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China foi o principal destino dos embarques, tendo importado 420,8 mil toneladas no período. Em nota, a ABPA diz manter a expectativa de “agilidade nas negociações para restabelecer os fluxos comerciais”, destacando o trabalho prévio de negociação dos certificados sanitários e a rapidez na comunicação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
“O alcance limitado das suspensões registradas até o momento reflete a importância dessa preparação e a confiança no sistema sanitário brasileiro”, afirma.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, diz que a entidade ainda não tem estimativas de possíveis prejuízos para o Estado em razão das suspensões e aguarda os desdobramentos do caso.
“Ainda é muito precoce, mas, como o setor avícola do Rio Grande do Sul já passou por algumas situações e tem uma certa experiência de contingência, acreditamos que não teremos grandes impactos nas exportações”, avaliou.
Entre janeiro e setembro de 2026, o Rio Grande do Sul enviou ao mercado internacional 561,7 mil toneladas de carne de frango, e a receita das vendas alcançou US$ 1,106 bilhão.
Segundo José Eduardo, muitos dos países importadores devem obedecer a critérios de regionalização. “Ou seja, embargos num determinado perímetro do local do foco detectado ou do município ou estado onde foi detectado”, comentou.
RS registrou caso em 2024
O assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Renan Hein dos Santos, lembra que este é o segundo caso de Newcastle em produção comercial registrado no Brasil. O primeiro ocorreu em julho de 2024, quando um foco foi identificado em um aviário gaúcho de Anta Gorda.
Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação. O Brasil aplicou uma autossuspensão temporária nas exportações para a China, que depois foram retomadas, mas o embargo a produtos do Rio Grande do Sul se estendeu até janeiro de 2025.
“E este tende a ser o padrão, Santa Catarina ficar fora do mercado por um tempo. Alguns países vão suspender o Brasil como um todo, caso do México, e outros vão fazer um embargo por região”, observa.
Para Renan, a resposta da Defesa Sanitária gaúcha na época foi muito ágil. “Nossa expectativa é que isso aconteça de novo, que fique um caso isolado e não se espalhe para mais municípios ou mais granjas”, disse.
No aviário catarinense, a doença se manifestou em 26 aves, de um total de 6.526, de acordo com o Mapa. A pasta declarou emergência zoossanitária em quatro municípios: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. No relatório enviado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), datado da segunda-feira, o início do surto é registrado em 21 de setembro, quando amostras das aves foram coletadas em vigilância ativa realizada pela pasta na região, com confirmação em 18 de outubro.
Os maiores importadores (janeiro a setembro de 2026)
China: 420,8 mil toneladas
Japão: 355,8 mil toneladas
Emirados Árabes: 343,5 mil toneladas
Arábia Saudita: 327 mil toneladas
União Europeia: 312,4 mil toneladas
África do Sul: 266,2 mil toneladas
Filipinas: 189 mil toneladas
México: 170,9 mil toneladas
Coreia do Sul: 152,1 mil toneladas
Singapura: 113,8 mil mil toneladas
Fonte: ABPA

Fonte: Correio do Povo

