
O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS) registrou retração de 1,3% no acumulado de 2025. O resultado é explicado, principalmente, pela queda de 3,5% no faturamento real e pela redução de 1,8% nas compras industriais, ambos componentes do índice. Os dados foram divulgados em pesquisa do Sistema FIERGS nesta segunda-feira (9).
Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, das incertezas com as contas públicas, da redução das exportações em decorrência das tarifas impostas pelos Estados Unidos e, sobretudo, dos juros elevados. “A persistência dos juros em níveis tão altos compromete a capacidade de investimento dos industriais, afetando a produção, a geração de renda e de empregos”, afirmou.
Conforme o levantamento, também contribuíram para o resultado as retrações nas horas trabalhadas na produção (-1,6%) e na utilização da capacidade instalada (-1,5 ponto percentual). Já os indicadores do mercado de trabalho apresentaram resultados positivos no período: o emprego cresceu 1,1% e a massa salarial real avançou 2,3% entre janeiro e dezembro.
Dos 15 segmentos industriais analisados na pesquisa, nove apresentaram recuo. Entre as principais pressões negativas, destacam-se os setores de Veículos automotores (-11,3%) e de Couros e calçados (-6,6%). Por outro lado, Máquinas e equipamentos (10,1%), Equipamentos de informática e eletrônicos (2,5%), Tabaco (10,4%) e Alimentos (1,4%) apresentaram crescimento.
RESULTADO DE DEZEMBRO
Em dezembro do ano passado, a atividade industrial gaúcha apresentou retração de 2,5% em relação a novembro, configurando o pior resultado para o mês desde 2008 (-3,9%). Além disso, o índice atingiu o menor patamar desde a catástrofe climática de maio de 2024.
O desempenho foi resultado de uma retração generalizada em todos os componentes do índice, com destaque para a queda nas compras industriais (-7%). Também houve recuos no faturamento real (-2,5%), na utilização da capacidade instalada (-1,5 p.p), na massa salarial (-0,9%), no emprego (-0,8%) e nas horas trabalhadas na produção (-0,8%).
Na comparação interanual, a atividade industrial gaúcha recuou 7,5% em relação a dezembro de 2024. Trata-se da queda mais intensa dentro de uma sequência de seis meses consecutivos de resultados negativos, aproximando os níveis atuais dos patamares críticos observados em maio de 2024.