
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar conduz a investigação interna sobre a ação policial que resultou na morte do produtor rural Marcos Nörnberg, de 48 anos, durante a madrugada, em Pelotas, na Região Sul do Estado. Em entrevista à Record Guaíba, o corregedor-geral da BM, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, classificou o desfecho da ocorrência como “extremamente indesejado” e afirmou que apenas ao final do inquérito será possível apontar onde, de fato, ocorreu a falha.
Segundo o corregedor, a operação teve origem em informações que indicavam a existência de uma situação de flagrante envolvendo criminosos fortemente armados no local. No entanto, esse cenário não se confirmou. “A gente concorda que as informações que haviam sido recebidas não se confirmaram”, afirmou Aro, ao reconhecer que a propriedade alvo da ação pertencia ao agricultor e não tinha relação com o crime investigado.
O coronel evitou antecipar conclusões sobre a responsabilidade pela falha. De acordo com ele, a apuração precisa avaliar todo o encadeamento da ocorrência, desde a origem da informação, passando pela tomada de decisão, até a execução da abordagem. “Nós precisamos entender todo o conjunto dos atores envolvidos nesse processo para então analisar onde ocorreu o erro. Se houve o erro na execução, na expedição da ordem, na execução propriamente dita do local, ou se alguma coisa na abordagem foi feita de forma totalmente equivocada, e que levou o Marcos a reagir à ação policial, que culminou com a sua morte”, explicou.
Com relação aos questionamentos feitos pela sociedade, como o horário da operação e a ausência de comunicação prévia à Polícia Civil, o corregedor destacou que, em situações consideradas de flagrante, a Brigada Militar recebe diariamente denúncias e informações que exigem resposta imediata. Nesses casos, segundo ele, não há obrigatoriedade de acionamento prévio da Polícia Civil. “A situação de flagrância permite a entrada da residência a qualquer hora do dia. Isso está na legislação brasileira. Agora, a gente também tem que se certificar de que aquelas condições estão presentes para que a gente faça a entrada nas residências”, afirmou.
Em relação ao efetivo envolvido, a Corregedoria confirmou a participação de 17 policiais militares na ação — nove do 5º Batalhão de Polícia de Choque e oito do 4º Batalhão de Polícia Militar, todos de Pelotas. Conforme Aro, todos os agentes foram afastados temporariamente das atividades operacionais enquanto as investigações avançam. A expectativa é concluir o inquérito antes do prazo legal de 40 dias.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo