
Alisson Gilmar Abedala de Senna, o Deco, e Maurício Fontana Rodrigues, supostas lideranças da facção Primeiro Comando de Santa Maria, chegaram à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) às 19h20min desta quarta-feira, após a maior ofensiva contra homicídios já feita na Região Central. Ambos seguem recolhidos no Módulo de Segurança Máxima (MSM), por até 90 dias. Sua defesa nega as alegações.
Intitulada Operação Padrinho, devido a outro suposto apelido de Deco, a ação decorre da morte de Roberto Nascimento dos Santos, alvejado 15 vezes com pistola na frente de casa, no bairro Nova Santa Marta, em 13 de agosto de 2025.
O assassinato teria ocorrido após briga da vítima com os dois presos, envolvendo disputas de Wi-Fi, no contexto do tráfico, na Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). Assim, a dupla é apontada como mandante do assassinato.
O que diz a defesa
Os advogados Wedner e Wiliam Lima, à frente da defesa dos suspeitos, afirmam que nenhum dos seus clientes têm envolvimento com o crime investigado. Ademais, também negam que os clientes liderem facção.
“Ainda não tive acesso aos autos, mas garanto que o Alisson não tem apelido ‘Padrinho’, como diz a Polícia Civil. Do mesmo modo, nunca houve a menor prova que apontasse alguma liderança, apenas ilações vazias das forças policiais”, destacou Wedner Lima.
Logo, o advogado também aponta que a dupla já respondia em outro processo similar e que ainda não teve acesso aos autos do inquérito. Ele visitará ambos, nos próximos dias.
“Me causou surpresa, em relação ao fato originário, pois os dois já respondem processo do mesmo caso. Portanto, em breve irei visitá-los na Pasc”, ponderou Wedner Lima.
Maior operação de Santa Maria
Mais de 350 policiais da Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Penal cumpriram 167 ordens judiciais na Operação Padrinho. No total, 72 pessoas foram presas.
As diligências ocorreram em Santa Maria, em Restinga Seca, Júlio de Castilhos, Caçapava do Sul, São Borja e nos presídios PESM, PRSM, PEJULI E PESB.

“É um grande esforço investigativo contra os homicídios e contra o crime organizado na cidade”, afirma o delegado da DHPP de Santa Maria, Adriano de Rossi, à frente dos trabalhos.
Para o diretor da Divisão de Homicídios do Interior, delegado Thiago Carrijo, o trabalho representou demonstração de força contra os grupos criminosos em Santa Maria.

Segundo o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mario Souza, a ação é a medida 5 do Protocolo das 7 Medidas Contra os Homicídios, visando o maior prejuízo possível à estrutura da facção.
“Nossa estratégia é atingir todo o grupo criminoso, dos executores até os seus líderes, assim como sua capacidade operacional e financeira, enfraquecendo e impedindo que continue produzindo mortes”, enfatizou Mario Souza.
Ainda conforme o delegado Mario Souza, a operação em Santa Maria coloca a cidade em direção aos parâmetros de redução de violência da ONU.
Fonte: Marcel Horowitz

