
Mesmo com a trégua no volume de chuvas nesta quarta-feira, o risco de alagamentos e cheias para os principais rios do Estado segue existindo. Em Alvorada, na Região Metropolitana, a elevação do arroio Feijó, que recebe volumes do Rio Gravataí, voltou a causar alagamentos no bairro Americana, situação que é reconhecida pelos moradores e pelo poder público como recorrente.
Na tentativa de conter o avanço das águas, a prefeitura de Alvorada construiu um talude às margens do arroio. Mesmo com a estrutura, as águas vertem pelos bueiros das ruas próximas ao córrego. O próprio talude também já apresenta pontos com infiltração, se mostrando ineficiente como medida emergencial, muito embora, consiga conter parte da água que transbordaria sem o acúmulo de terra instalado na encosta.
Embora as águas já avancem sobre dezenas de residências do bairro, apenas 15 famílias acionaram a Defesa Civil Municipal e estão temporariamente hospedadas com amigos ou familiares. A maioria das moradias atingidas seguem aparentemente ocupadas, com luzes acesas, e automóveis estacionados no terreno. O alagamento resulta da elevação do nível do Rio Gravataí, que atingiu o patamar de 4,26m às 18h de hoje, em cota de alerta, e sobrecarrega o arroio que passa pelo bairro.
A prefeitura mobilizou equipes da Defesa Civil, Assistência Social, Saúde, Meio Ambiente e Obras Públicas para as áreas afetadas. Até o momento não foi expedida ordem de desocupação para os moradores do bairro, mas o Ginásio Municipal Tancredo Neves permanece à disposição de pessoas que optarem por deixar suas residências preventivamente. Até a noite desta quarta-feira, uma família foi acolhida no abrigo público.
Na quinta-feira, a prefeitura pretende apresentar o projeto do Sistema de Proteção Contra Cheias do Arroio Feijó, com investimento previsto de R$ 130 milhões. O projeto prevê a construção de 19 casas de bombas, 28 quilômetros de canais de macrodrenagem e a construção de nove pontes, além de um dique de 21 quilômetros.
De acordo com o executivo municipal, foram liberados R$ 2,5 bilhões em verbas federais para investimentos desta natureza, que prometem solucionar os alagamentos no bairro. O projeto, desenvolvido pelo Governo do Estado, está em etapa de atualização do anteprojeto, que revisa estudos técnicos com base na realidade posterior à enchente de 2024. Ainda não há previsão para o início das obras.
Fonte: Lúcia Haggström/Correio do Povo


