
A quarta-feira, 26, concentrará os principais indicadores no mercado norte-americano. O Bureau of Economic Analysis divulgará a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano e o relatório de renda e gastos pessoais de julho, que inclui consumo e inflação medida pelo PCE. No Brasil, o IPCA-15 de agosto também será divulgado amanhã.
“O consenso de analistas do mercado econômico aponta revisão do crescimento anualizado do PIB de 1,5% para 2,1%. Uma melhora sustentada por consumo e investimento empresarial indicaria maior resiliência da demanda e teria implicação mais hawkish. Uma revisão concentrada em estoques ou comércio exterior seria menos relevante para a função de reação do Fed”, aponta Leandro Manzoni, analista da Investing.com.
Para o núcleo do PCE, o consenso aponta alta de 0,2% no mês e estabilidade em 3,3% em 12 meses. A renda deve crescer 0,3% e o consumo, 0,2%. As encomendas de bens duráveis têm previsão de alta de 0,7%. A ING também projeta núcleo do PCE de 0,2% e 3,3% em 12 meses. O Morgan Stanley trabalha com aproximadamente 0,23% e 3,27%, respectivamente, e prevê desinflação gradual, embora considere que os riscos para 2027 continuem elevados caso os choques de oferta não sejam revertidos.
Um núcleo de até 0,2%, acompanhado por menor pressão nos serviços, reforçaria a possibilidade de manutenção dos juros em setembro. Uma variação de 0,3% ou mais reabriria espaço para uma alta, principalmente se PIB, consumo e investimento também surpreenderem positivamente.
INFLAÇÃO NO BRASIL
No Brasil, o IPCA-15 de agosto será divulgado na quarta-feira. O ASA projeta deflação de 0,31% no mês e desaceleração da taxa em 12 meses para 4,34%. A principal contribuição deverá vir da energia elétrica residencial, devido ao pagamento do bônus de Itaipu, efeito temporário que será parcialmente devolvido em setembro. A instituição também espera queda das passagens aéreas, menor intensidade da deflação dos alimentos e aceleração dos bens industrializados devido ao reajuste do IPI sobre cigarros. Os núcleos devem permanecer comportados, mas a inflação subjacente de serviços pode apresentar variação mensal um pouco maior.
“A manchete negativa, portanto, não será suficiente para definir a interpretação do Copom. Um resultado abaixo do esperado, acompanhado por serviços e núcleos benignos, reforçaria a possibilidade de outro corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro”, comenta Manzoni para quem se a deflação vier concentrada na energia enquanto os componentes persistentes aceleram, o espaço adicional para flexibilização será menor.
Já o mercado de trabalho terá dois testes importantes no fim da semana. Na quinta-feira, o IBGE divulgará a taxa de desemprego de julho. A taxa, porém, não será a única informação relevante. O mercado também observará se a estabilidade recente da massa de rendimento real pode dar lugar a uma redução. Esse componente ajuda a medir a renda efetivamente disponível para o consumo e pode oferecer um sinal mais sensível sobre a perda de força da economia do que a taxa de desemprego isoladamente.
“Uma redução da massa salarial, principalmente se acompanhada por menor rendimento médio ou desaceleração da ocupação, reforçaria a percepção de que o mercado de trabalho começa a transmitir os efeitos da política monetária para o consumo. A manutenção em patamar elevado ainda funcionaria como amortecedor para a atividade”, diz Manzoni.
Na sexta-feira, o Caged mostrará o saldo de empregos formais de julho. Depois das surpresas recentes, a questão será verificar se a geração de vagas voltará a superar as expectativas ou se também apresentará desaceleração mais clara. Outro resultado forte mostraria que o emprego formal permanece resiliente, segundo o analista da Investing.com, mesmo com a perda de velocidade da atividade. Uma leitura fraca, combinada com redução da massa salarial na PNAD, aumentaria a evidência de que o enfraquecimento da economia começa a alcançar o mercado de trabalho.


